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A era do candidato

A nova edição da revista Você S/A traz novo artigo do Rafael Souto, CEO da Produtive, que provoca uma reflexão sobre a decisão de fazer uma transição de carreira, considerando as propostas douradas que surgem com o reaquecimento da economia. O novo cenário que se apresenta no horizonte é uma excelente notícia. Mas, traz consigo a necessidade dos profissionais saberem fazer escolhas.

 

A perspectiva de melhora na economia acende uma chama que estava recrudescida nos últimos anos. Para aqueles que estão fora do mercado, a notícia é um alento para voltar. Já os que estão trabalhando em oportunidades que subutilizam seu potencial, mais chances terão para uma recolocação assertiva.

Em tempos de luta por talentos também já observamos os recrutadores das empresas atuando como guerreiros na busca de bons profissionais. Caçam pessoas e procuram seduzi-las com ofertas tentadoras.

Esse novo cenário que se apresenta no horizonte é uma excelente notícia. Mas, traz consigo a necessidade dos profissionais saberem fazer escolhas.

A sedução de um processo seletivo e o desejo de ser escolhido não podem deixar de lado a cautela na análise da empresa e do projeto de trabalho.

Já passou a época em que só a empresa fazia avaliações de candidatos. Um profissional precisa usar o processo seletivo para também analisar a nova oportunidade.

Podemos considerar diversos fatores nessa avaliação. Mas, entendo que são três os principais grupos de questões que devem ser colocados em análise, sendo o primeiro a empresa.  Entender a cultura e o jeito de trabalhar é peça-chave para saber se vale trabalhar numa organização.

Para isso, é importante conhecer seus valores pessoais e buscar saber se suas crenças têm sinergia com o que a empresa acredita. Por exemplo, alguém que preza pelo trabalho em grupo e pela colaboração talvez não se sinta confortável numa empresa em que o foco nas metas individuais é o mantra da cultura. Para investigar isso, é importante acessar pessoas que atuam ou já trabalharam na empresa. Também é possível levantar pontos para pesquisar mais sobre a empresa nas entrevistas e ficar atento aos sinais emitidos pelo contratante.

A segunda questão é a atividade a ser desenvolvida. Mais do que o nome do cargo, é importante compreender quais serão as responsabilidades e os desafios da nova posição. Um recente estudo sobre pedidos de demissão mostra que 46% das pessoas que saíram da empresa em até 6 meses o fizeram por conta de um desalinhamento entre proposta realizada e as atividades que, de fato, eram realizadas.

O terceiro fator é o salário e os benefícios. Esse é sempre um ponto relevante. Mas é importante analisar a composição geral. E não só o salário no mês. O ideal é fazer a análise da remuneração anual. Com isso, podemos avaliar o pacote completo, incluindo bonificações e benefícios.

A carreira é construída pela soma de experiências ao longo de uma trajetória. Saber avaliar as propostas de trabalho é fundamental para o profissional estruturar uma carreira bem-sucedida.

Como não passar vergonha na hora de fazer networking

A Exame.com traz reportagem sobre como fazer um networking estratégico e não cair em saias justas nesse processo de relacionamento com as contribuições ricas da consultora sênior de carreira da Produtive, Márcia Oliveira.

É uma verdade universalmente conhecida entre especialistas que um profissional em busca de um emprego, e em posse de uma grande rede de contatos, deve conseguir uma boa indicação.

Se você tem vergonha de fazer networking e já desistiu da sua rede, talvez seja hora de repensar. Em tempos difíceis, essa habilidade pode ajudar a abrir novas portas e alçar sua carreira.

Pedir por uma ajuda a desconhecidos pode levar a momentos embaraçosos e gafes, mas Marcia Oliveira, consultora de carreira sênior na Produtive, garante que existem barreiras ao uso do networking que podem ser vencidas na prática.

Sua primeira dica é começar pequeno. Em vez de entrar em contato com o fundador da empresa que tem interesse, treinar a aproximação de contatos menos distantes, como colegas da faculdade, amigos e parentes.

Maiores constrangimentos podem ocorrer por razões emocionais. “Essa vergonha pode ser gerada por crenças limitantes, que dificultam um processo que é natural. Muitas vezes as pessoas têm receio de pedir um favor e parecer frágil, têm receio de receber um não ou têm baixa tolerância à frustração”, explica.

O remédio para esse constrangimento é a consciência do valor oferecido na relação com o outro.

Segundo Robert Wong, presidente da Havik, muitos se esquecem de que o bom networking representa um ganho para os dois lados. Assim, é preciso estabelecer um equilíbrio entre o seu interesse e também o que você pode oferecer em troca.

“Networking é um modelo mental. Não é apenas para buscar emprego, mas é uma prática de troca de informação, benchmarking, aprimoramento de conhecimento, geração de negócio e solução de problemas. Alcançar seus objetivos fica mais fácil se tiver feito sua lição de casa todos os dias”, explica Marcia.

Wong reforça a ideia da consultora: “Criar o networking é o mais fácil, mas manter a rede é uma arte”.

O trabalho de manutenção das relações para fazer um bom networking deve ser constante. Isso pode poupar a vergonha de retomar o contato com um colega de trabalho com quem não fala há anos.

 

Por que o mercado valoriza as novas movimentações profissionais?

Para a revista Você S/A, Rafael Souto, explica por que as diversas transições profissionais acontecem, como engenheiros que vão para vendas, médicos que viram gestores, administradores no setor de educação.

 

A paulistana Danielle Brants, de 32 anos, é formada em administração, mas fez carreira no mercado financeiro. Começou como analista de investimento no banco Morgan Stanley e chegou ao cargo de diretora associada de fusões e aquisições para a América Latina da General Electric (GE).

Hoje, é CEO da própria empresa, na área de educação e tecnologia, a Guten, uma plataforma de notícias que estimula a leitura e a compreensão de textos entre alunos do 4° ao 9° ano do Ensino Fundamental. Para Danielle, vocação é mais importante do que diploma de graduação. “Mas não basta seguir os instintos. É preciso estudar muito, mesmo que por conta própria, para entender as novas funções”, afirma.

Movimentações profissionais como a dela têm sido mais comuns. Engenheiros migram para vendas, economistas vão para recursos humanos, médicos assumem a administração do hospital. “É uma tendência haver um descolamento entre a formação acadêmica e as atividades em que a pessoa se desenvolve depois de graduada”, diz Rafael Souto, sócio fundador e presidente da consultoria Produtive.

O motivo mais evidente é que a escolha da profissão acontece muito cedo, por volta de 17 anos, e pode mudar tempos depois. “Atualmente, as companhias absorvem essa transição com facilidade, salvo em áreas muito técnicas, que exigem conhecimento específico e habilitação no conselho que regulamenta a atividade”, afirma Souto. “Há cada vez menos planos de carreira estáticos. O que existe são estruturas e cargos em que os funcionários navegam conforme as oportunidades aparecem.”

“O mercado financeiro me ensinou a ser resiliente e a ter disciplina e capacidade analítica, que fazem uma diferença enorme na minha atuação hoje”, diz Danielle, da Guten.

O perfil T

Não significa que o domínio da atividade não seja valorizado. “As companhias exigem profissionais hiperespecializados, com foco bem determinado e solidez nas atividades que fazem, mas capazes de desenvolver uma visão global”, diz Rafael Souto, da Produtive, definindo o que ele chama de profissional T. “Imagine a letra T. A linha vertical é a área de atuação em que você é bom. A horizontal é o seu desenvolvimento holístico, seu entendimento do todo, que funciona como um complemento.”

TRÊS PASSOS PARA A MUDANÇA

As oportunidades estão aí. Saiba como aproveitá-las.

1. Autoconhecimento. Antes de buscar ou aceitar uma transição, dentro ou fora da sua área de atuação, é importante saber se a sua vontade de mudar tem a ver com seus objetivos de vida ou é apenas frustração com o atual emprego.

Às vezes, as pessoas estão apenas em busca de se livrar de um culpado – o chefe, a empresa – e encontram os mesmos problemas na nova atuação.

2. Disposição para aprender. É preciso estar à vontade com a ideia de voltar várias casas no jogo. “São no mínimo dois anos para consolidar uma carreira em uma nova posição para então começar a ter crescimento e ser reconhecido”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

3. Momento de vida. Antes dos 30 anos, é bem-vindo testar várias possibilidades. Depois, vale estudar a movimentação com mais critério, porque múltiplas experiências têm impactos maiores na vida profissional e pessoal. 

O economista Pedro Ivo Rodrigues de Campos, de 28 anos, consultor de novos negócios da operadora de planos de saúde Notre Dame- Intermédica, trabalhou no departamento de marketing do Corinthians logo depois de se formar.

Ele tinha 22 anos na época e achava que se desenvolveria no ramo de esportes. “Aquele era o meu momento de experimentar”, diz. Três anos e meio depois, voltou para o mercado financeiro e acabou desenvolvendo outro olhar para suas tarefas diárias. “Percebi que existem dezenas de possibilidades dentro de uma mesma área que demandam habilidades diferentes. E a que estou hoje me traz muita satisfação”, afirma. “Agora, eu dificilmente assumiria o risco de migrar para outro setor, porque tenho mais responsabilidades, como o casamento, a quitação do apartamento. Chega um momento em que, para fazer uma movimentação de carreira, você precisa levar em conta bem mais do que o simples desejo de mudar.”

Novas opções de trabalho

Para o app da revista Você S/A, Rafael Souto discorre sobre como o mercado enxerga a transição de carreira e quando esse movimento não é indicado.


Engenheiros que vão para vendas, médicos que viram gestores, administradores no setor de educação. Por que o mercado está valorizando as novas movimentações profissionais

Por Marcia Kedouk

A paulistana Danielle Brants, de 32 anos, é formada em administração, mas fez carreira no mercado financeiro. Começou como analista de investimento no banco Morgan Stanley e chegou ao cargo de diretora associada de fusões e aquisições para a América Latina da General Electric (GE). Hoje, é CEO da própria empresa, na área de educação e tecnologia, a Guten, uma plataforma de notícias que estimula a leitura e a compreensão de textos entre alunos do 4° ao 9° ano do Ensino Fundamental. Para Danielle, vocação é mais importante do que diploma de graduação. “Mas não basta seguir os instintos. É preciso estudar muito, mesmo que por conta própria, para entender as novas funções”, afirma.

Movimentações profissionais como a dela têm sido mais comuns. Engenheiros migram para vendas, economistas vão para recursos humanos, médicos assumem a administração do hospital. “É uma tendência haver um descolamento entre a formação acadêmica e as atividades em que a pessoa se desenvolve depois de graduada”, diz Rafael Souto, sócio fundador e presidente da consultoria Produtive.

O motivo mais evidente é que a escolha da profissão acontece muito cedo, por volta de 17 anos, e pode mudar tempos depois. “Atualmente, as companhias absorvem essa transição com facilidade, salvo em áreas muito técnicas, que exigem conhecimento específico e habilitação no conselho que regulamenta a atividade”, afirma Souto. “Há cada vez menos planos de carreira estáticos. O que existe são estruturas e cargos em que os funcionários navegam conforme as oportunidades aparecem.

O que tem impulsionado essas novas experiências não é apenas uma vontade interna. Existe, agora, uma necessidade de mercado. “Vivemos um momento em que os profissionais começam a ter de se diferenciar pelo repertório que trazem”, diz José Augusto Figueiredo, engenheiro que há 18 anos decidiu se graduar em psicologia e atualmente é presidente para o Brasil e vice-presidente executivo para a América Latina da consultoria de recolocação profissional Lee Hecht Harrison (LHH). “Você será melhor se absorver o conhecimento de outra área que pode influenciar no seu jeito de ver a vida e lidar com as pessoas”, afirma José Augusto.

Segundo ele, as competências mais importantes não estão ligadas ao conhecimento técnico, mas, sim, a habilidades comportamentais, como a capacidade de construir relações, trabalhar em equipe e lidar com conflitos e pressão. “O mercado financeiro me ensinou a ser resiliente e a ter disciplina e capacidade analítica, que fazem uma diferença enorme na minha atuação hoje”, diz Danielle, da Guten.

O perfil T

Não significa que o domínio da atividade não seja valorizado. “As companhias exigem profissionais hiperespecializados, com foco bem determinado e solidez nas atividades que fazem, mas capazes de desenvolver uma visão global”, diz Rafael Souto, da Produtive, definindo o que ele chama de profissional T. “Imagine a letra T. A linha vertical é a área de atuação em que você é bom. A horizontal é o seu desenvolvimento holístico, seu entendimento do todo, que funciona como um complemento.”

TRÊS PASSOS PARA A MUDANÇA

As oportunidades estão aí. Saiba como aproveitá-las.

1- Autoconhecimento. Antes de buscar ou aceitar uma transição, dentro ou fora da sua área de atuação, é importante saber se a sua vontade de mudar tem a ver com seus objetivos de vida ou é apenas frustração com o atual emprego. Às vezes, as pessoas estão apenas em busca de se livrar de um culpado – o chefe, a empresa – e encontram os mesmos problemas na nova atuação.

2- Disposição para aprender.É preciso estar à vontade com a ideia de voltar várias casas no jogo. “São no mínimo dois anos para consolidar uma carreira em uma nova posição para então começar a ter crescimento e ser reconhecido”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

3- Momento de vida. Antes dos 30 anos, é bem-vindo testar várias possibilidades. Depois, vale estudar a movimentação com mais critério, porque múltiplas experiências têm impactos maiores na vida profissional e pessoal. O economista Pedro Ivo Rodrigues de Campos, de 28 anos, consultor de novos negócios da operadora de planos de saúde Notre Dame- Intermédica, trabalhou no departamento de marketing do Corinthians logo depois de se formar. Ele tinha 22 anos na época e achava que se desenvolveria no ramo de esportes. “Aquele era o meu momento de experimentar”, diz. Três anos e meio depois, voltou para o mercado financeiro e acabou desenvolvendo outro olhar para suas tarefas diárias. “Percebi que existem dezenas de possibilidades dentro de uma mesma área que demandam habilidades diferentes. E a que estou hoje me traz muita satisfação”, afirma. “Agora, eu dificilmente assumiria o risco de migrar para outro setor, porque tenho mais responsabilidades, como o casamento, a quitação do apartamento. Chega um momento em que, para fazer uma movimentação de carreira, você precisa levar em conta bem mais do que o simples desejo de mudar.”

O Ciclo Ótimo de Carreira

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Em artigo publicado na edição do jornal Zero Hora de 03 de março, Rafael Souto escreve sobre o ciclo de trabalho que o profissional deve ter em cada empresa. 

Quanto tempo devo permanecer numa empresa? Essa é uma pergunta recorrente de profissionais nos mais diversos níveis e momentos de vida.

Proponho duas reflexões sobre estratégia de carreira para discutir a questão.

A primeira é um conceito chamado “Ciclo Ótimo de Carreira”. Significa o período em que o profissional percebe que o trabalho na empresa está agregando valor para sua carreira e a organização entende que o profissional está contribuindo com seu projeto empresarial.

Estar num ciclo ótimo de carreira é perceber que aquele projeto ainda gera motivação e sentido. Ele pode durar dois, cinco ou quinze anos. Não existe um período determinado.

A segunda reflexão é sobre a construção dos ciclos de trabalho. No século passado, vivemos um longo período em que as relações de trabalho eram estáveis. A previsibilidade e o crescimento linear faziam parte da lógica das trajetórias profissionais.

A partir dos anos 2000, as mudanças econômicas geraram profundas alterações nesse modelo. Do ponto de vista das organizações, a instabilidade fez com que os ciclos ficassem mais curtos e incertos. No olhar dos profissionais, o desejo de crescimento e controle da própria carreira também alteraram a lógica previsível do passado.

O protagonismo na carreira foi um grande avanço. Os profissionais passaram a se preocupar com seu planejamento de carreira. Entenderam com mais clareza que não podiam apenas esperar as soluções propostas pela empresa.

O efeito colateral foi um aumento de trocas de trabalho. Principalmente nos períodos de crescimento da economia. Na fase em que as empresas estavam contratando com grande apetite, muitos profissionais fizeram movimentos de carreira apenas analisando a oportunidade que surgia. Não mediam o impacto na carreira. Mudavam sem concluir a missão.

Como consequência dessas transições de carreira, muitos profissionais passam mais tempo explicando o porquê mudaram do que o que fizeram nas empresas. Carregam uma trajetória inconsistente. A consistência nos ciclos de trabalho se constrói a partir de períodos em que os desafios propostos são entregues.

Nessa direção, a melhor estratégia de carreira é construir períodos em que os resultados possam ser demonstrados, evitando romper um ciclo ótimo de carreira. Uma história com introdução, desenvolvimento e conclusão.

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