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Estabilidade em troca de equilíbrio

Rafael Souto fala sobre o conceito de Life Design em entrevista ao jornal O Povo, de Fortaleza.

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Nos idos de 1960 e 1970, a vida dentro da empresa era completamente dissociada da vida fora dela. O processo de trabalho também era outro, garantindo ao funcionário construir toda a sua carreira basicamente em um único local. A estabilidade, entretanto, já não é fator preponderante no desenvolvimento de uma carreira.

Rafael Souto, sócio-fundador e CEO da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado, defende o pensamento da escola contemporânea Life Design, segundo a qual as pessoas pensam suas carreiras, mas de forma integrada a temas como família, vida pessoal, saúde e propósitos. E cabe ao profissional avaliar qual tema é mais importante para si e fazer a chamada arquitetura de vida.

Com a amplidão do sentido do trabalho, logo um novo paradigma de carreira passou a valer. “Quando a gente concentra nessa arquitetura de vida toca no propósito: ‘o que eu quero pra minha vida’, ‘em quê eu acredito?’ Se essas crenças e minha ética não combinarem com valores da companhia, fica difícil de trabalhar”, afirma Rafael.

Caso os temas variantes e as experiências do sujeito estejam em desequilíbrio, os lucros e as metas na empresa perdem seu sentido. E para alcançar o equilíbrio na carreira, o especialista recomenda a reflexão sobre cinco temas de vida. O primeiro propõe pensar sobre sua satisfação e objetivos, e a questionar-se sobre coisas como ‘onde eu não trabalharia?’, ‘em quê eu acredito?’.

O segundo é refletir ‘como está minha saúde emocional e física?’. O terceiro recai sobre as finanças pessoais: ‘como vai a organização do meu dinheiro?’, ‘como será meu futuro?’. O quarto tema é avaliar a reputação conquistada na empresa e diante de todas as pessoas que me cercam. O quinto e último trata sobre a competitividade em si, considerando aspectos como formação, experiência e área de atuação. “Recomendaria olhar esses cinco aspectos que correspondem à arquitetura de vida. Não é fácil, mas todos devem estar harmonizados”, complementa Rafael.

Quando a expatriação é ótima (e quando é péssima) para a carreira

Rafael Souto, presidente da Produtive, fala sobre sucesso e fracasso para quem vai trabalhar em outro país.

https://www.youtube.com/watch?v=TLD7u5d4UB0&feature=youtu.be

 

 

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 A expatriação pura e simplesmente não é sinônimo de crescimento profissional. Rafael Souto, presidente da Produtive, já viu até quem se desse mal na carreira, após uma movimentação internacional desconectada da área-foco. Ele explica quando ela pode dar certo e ser uma ótima experiência profissional e quando pode dar tudo errado, em mais um dos vídeos de carreira.

O Ciclo Ótimo de Carreira

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Em artigo publicado na edição do jornal Zero Hora de 03 de março, Rafael Souto escreve sobre o ciclo de trabalho que o profissional deve ter em cada empresa. 

Quanto tempo devo permanecer numa empresa? Essa é uma pergunta recorrente de profissionais nos mais diversos níveis e momentos de vida.

Proponho duas reflexões sobre estratégia de carreira para discutir a questão.

A primeira é um conceito chamado “Ciclo Ótimo de Carreira”. Significa o período em que o profissional percebe que o trabalho na empresa está agregando valor para sua carreira e a organização entende que o profissional está contribuindo com seu projeto empresarial.

Estar num ciclo ótimo de carreira é perceber que aquele projeto ainda gera motivação e sentido. Ele pode durar dois, cinco ou quinze anos. Não existe um período determinado.

A segunda reflexão é sobre a construção dos ciclos de trabalho. No século passado, vivemos um longo período em que as relações de trabalho eram estáveis. A previsibilidade e o crescimento linear faziam parte da lógica das trajetórias profissionais.

A partir dos anos 2000, as mudanças econômicas geraram profundas alterações nesse modelo. Do ponto de vista das organizações, a instabilidade fez com que os ciclos ficassem mais curtos e incertos. No olhar dos profissionais, o desejo de crescimento e controle da própria carreira também alteraram a lógica previsível do passado.

O protagonismo na carreira foi um grande avanço. Os profissionais passaram a se preocupar com seu planejamento de carreira. Entenderam com mais clareza que não podiam apenas esperar as soluções propostas pela empresa.

O efeito colateral foi um aumento de trocas de trabalho. Principalmente nos períodos de crescimento da economia. Na fase em que as empresas estavam contratando com grande apetite, muitos profissionais fizeram movimentos de carreira apenas analisando a oportunidade que surgia. Não mediam o impacto na carreira. Mudavam sem concluir a missão.

Como consequência dessas transições de carreira, muitos profissionais passam mais tempo explicando o porquê mudaram do que o que fizeram nas empresas. Carregam uma trajetória inconsistente. A consistência nos ciclos de trabalho se constrói a partir de períodos em que os desafios propostos são entregues.

Nessa direção, a melhor estratégia de carreira é construir períodos em que os resultados possam ser demonstrados, evitando romper um ciclo ótimo de carreira. Uma história com introdução, desenvolvimento e conclusão.

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