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A Síndrome da Vitimização no Trabalho

A cultura de dependência dos profissionais em relação às organizações ainda é algo muito visto no mundo corporativo. No artigo para o Valor Econômico deste mês, Rafael Souto, CEO da Produtive, propõe uma reflexão sobre o assunto.

Escrevo nesta coluna desde 2013 e tenho sido um feroz crítico das incoerências corporativas. Em diversos textos questionei a toxicidade nos ambientes das empresas, a ausência de priorização da agenda sobre pessoas na cúpula da organização, a sobrecarga da média gestão, os modismos e os jogos de poder.

Hoje, proponho uma reflexão sobre uma temática muito presente na agenda das organizações: o protagonismo dos indivíduos.

O mantra está baseado na ideia de que, em função das transformações do mercado de trabalho, não há mais espaço para os profissionais dependentes da empresa e que esperam que seus gestores tomem suas  decisões de carreira e de desenvolvimento profissional. O novo mundo do trabalho exige que as pessoas sejam intraempreendedoras, tenham visão de dono e ajudem as organizações a superarem as tormentas da competição e da rápida modificações dos negócios.

O problema é que estamos discutindo uma profunda mudança cultural nas relações de trabalho. Para não ficarmos em mais um dos modismos do rico dicionário corporativo, precisamos compreender essa transformação e definir as estratégias para conduzir as próximas etapas.

O mercado de trabalho brasileiro foi construído com base na premissa de hipossuficiência do trabalhador. Desde a consolidação das leis trabalhistas, nos anos de 1940, o empregado é visto como vítima da organização. Todo o processo de desenvolvimento do mercado de trabalho foi construído nesse modelo, sendo o empregado a parte fraca da relação, que precisa ser protegido e guiado pela empresa.

O modelo mental carrega essa premissa até os dias de hoje. A lógica de gestão está baseada em comando e controle e estruturas hierárquicas tradicionais. A carreira é gerida pela empresa e o funcionário se adequa aos espaços que lhe forem oferecidos. Não há protagonismo. A cultura vigente ainda é de paternalismo e submissão.

Ao longo do tempo surgiram vários efeitos colaterais desse modelo que estão mais acentuados nos dias de hoje em função da necessidade de transformação das organizações e do colapso da previsibilidade do plano de carreira que havia no passado.

Do lado do indivíduo, o dano foi criar uma base de profissionais que carregam a terceirização dos problemas de suas carreiras no dia-a-dia. Agem como consumidores dentro da empresa. O principal discurso é falta de “feedback”, ausência de informações sobre oportunidades de carreira, críticas sobre a subjetividade das decisões, política empresarial e de processos de gestão de pessoas. A agenda é carregada de reclamações. O principal desafio parece ser encontrar sempre o culpado para suas dificuldades.

Se olharmos esse comportamento por faixas etárias, percebemos que ele é uma característica transgeracional. Mesmo os mais jovens foram criados por pais da “geração do emprego para a vida toda” e do paternalismo empresarial.

Embora vejamos discursos muito simpáticos sobre satisfação e propósito de carreira, na prática, as pessoas ainda esperam por um plano de carreira na empresa e por chefes que lhes digam todos os passos a serem seguidos. O protagonismo é só um discurso de impacto. Em recente estudo, o site Career Builder verificou que 65% de 700 jovens ainda almeja um plano de carreira oferecido pela empresa. É uma conversa moderna com modelo mental do século passado.

Quem está na posição de liderança acaba somando para esses efeitos ficarem ainda mais negativos. Isso porque a dificuldade em lidar com a diversidade de visões sobre carreira, a falta de diálogo, o medo de enfrentar discussões difíceis sobre desenvolvimento e um rol de limitações decorrentes de uma cultura em que o líder precisava para comandar e ter todas as respostas ainda são pontos precários de atuação. O atual cenário de negócios não permite mais previsibilidade e clareza de respostas, temos líderes presos em uma ratoeira, que é armada pelo próprio sistema de trabalho.

A ideia contemporânea de protagonismo do indivíduo exige curiosidade para explorar caminhos. O controle da carreira passa a ser do profissional, inclusive para decidir trocar de empresa se as oportunidades não estiverem alinhadas aos seus objetivos.

A relação entre líderes e suas equipes precisa ser construída com confiança para que as conversas mais árduas ocorram de maneira construtivista nas quais ambos busquem por soluções alternativas. Não é mais possível esperar da empresa todas as respostas. Elas cabem ao profissional que assume o volante de sua carreira. A organização precisa construir uma cultura que permita essa reflexão permanente e oportunize ferramentas para que os profissionais possam realizar os seus projetos de carreira.

 

7 atitudes para evitar em reuniões com chefes e outras pessoas importantes

Sentar à mesa com alguém que decide não só o seu futuro, mas dita os rumos da empresa, é uma oportunidade para se destacar. A seguir, especialistas dão dicas do que não fazer, para preservar sua imagem profissional diante de pessoas influentes.

Chegar em cima da hora

Não é só chegar atrasado que pega mal. Entrar quando a sala já está cheia pode causar constrangimento, pois talvez você tenha que ficar afastado do restante da sua equipe, em um local nada estratégico. Além disso, se a figura mais importante já estiver lá, pode pintar uma dúvida sobre como abordá-lo – de maneira mais formal ou descontraída? -, principalmente se você ainda não a conhece.

Tratar um sujeito conservador como um amigo de infância pode ser tão ruim quanto usar excesso de formalismo com um líder jovem e despojado. De acordo com Marcia Oliveira, consultora sênior de carreira da Produtive, o melhor é se planejar bem nos dias em que um encontro desses está previsto, avaliando as tarefas a serem realizadas e o tempo necessário para cada uma delas, de modo que consiga chegar pelo menos quinze minutos antes do horário programado ao local da reunião. Segundo a consultora, essa atitude simples demonstra interesse e comprometimento. Quanto mais você souber sobre o tema que será discutido, melhor. Tem que entender o contexto, ter à mão todos os dados possíveis e até se preparar para responder perguntas pontuais que tenham a ver com a sua participação na ideia que será apresentada ou debatida na ocasião. Conhecer o mercado e a concorrência também vai contar pontos a seu favor, principalmente se precisar fazer uma defesa, apontando os diferenciais daquilo em que está investindo o seu potencial profissional.

“Infelizmente, muitas pessoas não se preparam adequadamente para as reuniões, mesmo as mais importantes. Há quem entre na sala sem nem saber o motivo pelo qual foi convocado”, diz Susanne Anjos Andrade, especialista em desenvolvimento humano e autora do livro “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil”. De acordo com a especialista, ter um repertório alinhado com o interlocutor gera credibilidade e cria as bases para um diálogo mais favorável.

Dar uma de puxa-saco

Sentar o mais próximo possível do profissional a quem pretende impressionar, anotar absolutamente tudo o que ele fala, acenar com a cabeça em concordância e até repetir as frases que ele diz, só para reforçar o quanto está alinhado com as ideias que i superior defende, demonstra fragilidade. Com isso, você perde o foco e deixa de perceber os momentos em que a sua participação poderia ser realmente importante, para trazer detalhes ou dados sobre a operação que o chefão, eventualmente, desconheça.

Levar note, caneta, caderno e muitos outros apetrechos também pode atrapalhar, pois, além de ocupar muito espaço, eles podem cair, fazer barulho e desviar a atenção, passando uma imagem de falta de organização e cuidado.

 Falar sem pensar e interromper os outros

A sua imagem profissional será construída não apenas pelo conteúdo que transmitir, mas também pela forma de expressar suas ideias e até pelo tom de voz usado. Por isso, é importante escolher bem as palavras e prestar atenção para manter um tom de voz adequado, mesmo em situações tensas. “Comportamentos agressivos demonstram imaturidade”, diz Márcia.

Cortar a fala do outro é igualmente prejudicial. Segundo Caroline, tentar sobressair-se aos colegas é um tiro no pé. É válido se colocar quando tiver algo relevante a dizer, porém, respeitando as colocações dos outros, ainda que as ideias deles sejam diametralmente opostas às suas.

Entrar mudo e sair calado

O medo de dizer algo errado e perder pontos com alguém tão importante pode fazer com que algumas pessoas prefiram abrir mão de qualquer participação na reunião. Mas, com isso, o profissional também perde oportunidades de valorizar a sua contribuição – por meio de seu talento e experiência – no projeto que está sendo apresentado ou discutido. “É essencial estar disposto e demonstrar interesse em contribuir, durante toda a reunião”, diz Francis Garcia, coach de carreira. Quem faz o possível para passar despercebido pode transmitir a imagem de desleixado, pois, calado durante horas, é quase impossível não bocejar ou não deslizar na cadeira. “Se isso acontecer, beba água, peça um café ou pelo menos anote palavras-chave sobre o que está sendo dito, caso não esteja mesmo disposto a falar”, indica Márcia.

Resolver outras urgências durante a reunião, para ganhar tempo

“Não existe coisa pior do que se reunir com uma pessoa que fica o tempo todo mexendo no celular, respondendo mensagens. Isso faz com que as outras pessoas se sintam desrespeitadas”, alerta Susanne. Caso o aparelho seja o recurso utilizado para fazer as anotações da reunião, é importante comunicar os presentes. Ficar grudado no computador, digitando sem parar, é outro erro comum, que pode causar desconforto entre os colegas.

Durante a reunião, é imprescindível acompanhar o que está sendo dito, para fazer as intervenções em momentos chave. Mais tarde, você poderá focar nas outras demandas e, de modo mais objetivo, resolvê-las.

Usar termos técnicos para mostrar que sabe ou falar muito de si mesmo

Se estiverem presentes, na reunião, pessoas de áreas distintas, evite usar apenas termos técnicos. Em vez disso, dê exemplos e faça comparações para ser facilmente entendido. “Outra dica é trocar falas cansativas por recursos visuais, para chamar a atenção valendo-se de apresentações curtas e objetivas”, afirma Francis.

Também não vale querer falar apenas de como se dedicou ao projeto ou de sua importância no desfecho do resultado que está sendo apresentado. É preciso valorizar a participação dos colegas e, principalmente, mostrar o que a empresa vai ganhar ao aceitar o que está sendo proposto.

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Tendências para a área de finanças em 2019

Com exclusividade para a Exame.com, a Produtive fez um levantamento de mercado que mostra as posições na área de Finanças que estão em alta. Segundo os heads da área de Mercado da empresa, Tatiana Lemke e Fernando De Vincenzo, atualmente, a busca é por quem dê suporte ao negócio em uma possível expansão e possa analisar dados para agilizar decisões em retomadas de investimentos das empresas.

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Responsável pela saúde das contas das empresas, a área de finanças começou 2019 em clima otimista pela retomada da economia brasileira.

Embora as contratações no setor sejam feitas com cautela, a busca é por quem dê suporte ao negócio em uma possível expansão.  Sinais do viés estratégico das vagas de finanças estão sendo captados pelas consultorias.

O diretor da divisão de finanças da Talenses, Alexandre Benedett, vê o recrutamento para cargos de planejamento financeiro esquentando.

“O que está ligado ao suporte ao negócio, como vendas, marketing, supply chain e planejamento, de maneira ampla, terá maior foco de contratações. Profissionais especializados nos temas de governança, compliance, tributário, reestruturações e multinacionais terão destaque”, fala ele.

Para ele, a área não sofre com muitas transformações, mas é necessário ficar atento para novas demandas relacionadas à tecnologia, como o maior uso de análise de dados para tomar decisões nas empresas.

“De maneira geral, todas as áreas foram afetadas pelo uso da tecnologia. Cada vez mais, se fala em análise de dados e big data. Para finanças, isso será muito importante, gerando automatização de processos e mais eficiência”, explica ele.

Um exemplo é o cargo de analista de planejamento financeiro, indicado como promissor,  já que exige conhecimentos de análise de dados para tomar decisões mais rápidas e assertivas.

Segundo Guilherme Spironelli, gerente da divisão de finanças e bancos da Hays, cargos de tesouraria, controladoria e tributário serão essenciais no período para melhorar o desempenho.  Ele vê mais cargos vagos em multinacionais e startups em crescimento.

“As fintechs precisarão de pessoas para desenhar e estruturar o lado financeiro. As contratações aqui são para suporte das análises financeiras e também há chance para cargos mais altos. No entanto, como são empresas começando, os salários não são tão altos quanto no resto do mercado financeiro”, comenta ele.

Para mapear a demanda de profissionais e tendências no setor para 2019, EXAME fez um levantamento exclusivo com a Produtive e outras consultoras. Confira os 13 cargos indicados pelos especialistas:

CFO ou diretor financeiro

O que faz: profissional que gerencia e planeja todas as operações de finanças e contabilidade na empresa

Perfil da vaga: a graduação inicial não é tão importante quanto o conjunto de experiências e formações da pessoa, como um MBA e ter ocupado um cargo no exterior

Salário: 25 a 45 mil reais

Por que está em alta: movimentações societárias e fusões de empresas levam a contratação de novos diretores, especialmente esse alto executivo que é apontado como um possível candidato a próximo CEO. E a necessidade de melhor gestão dos recursos da empresa.

Business Partner Financeiro

O que faz: acompanha os indicadores financeiros das unidades de negócio com diretores e gerentes. Mais próximo da operação, ele agiliza decisões e acompanha o desenvolvimento de resultados.

Perfil da vaga: profissional analítico com forte conhecimento sistêmico de funcionamento da empresa, formação e especialização em administração de empresas, ciências contábeis e gestão financeira. Precisa ter desenvoltura para relacionamentos, pois a posição demanda essa habilidade.

Salário: 12 a 15 mil reais

Por que está em alta: as empresas estão retomando os investimentos e precisarão sair de um cenário de redução de custos, mas com cautela para diminuírem riscos, por isso, precisam desses profissionais para cuidarem deste movimento com governança, de forma mais cuidadosa.

Gerente de Controladoria ou Controller

O que faz: profissional responsável pela gestão e análise de indicadores econômicos e financeiros, metas e resultados. Faz a gestão de fluxo de caixa, captação de investimentos e recursos, negociação com bancos, e também nos assuntos relacionados a Controladoria, como fechamento de balanço, auditoria.

Perfil da vaga: cadeira de confiança, necessário bons conhecimentos técnicos e habilidade de apresentação e discussão de processos e resultados. É necessário ter conhecimento em Controladoria e Finanças, habilidades para negociação e captação de recursos com instituições financeiras e gestão de equipes.

Salário: dependerá da senioridade, mas está entre 12 a 25 mil reais

Por que está em alta: essa posição está em alta para realizar estudos dos cenários internos e externos consolidando informações para a tomada de decisão do alto escalão da empresa.

Controller de Unidade de Negócios (Business Controller)

O que faz: responsável por gerenciar as perdas e lucros de negócios, elaboração e gerenciamento das previsões e relatórios à diretoria dos principais indicadores da companhia. Trabalha com o CFO, fazendo o fechamento financeiro do negócio.

Perfil da vaga: profissional analítico, planejador, direcionado sempre para eficiência operacional e financeira

Salário: 12 a 18 mil reais

Por que está em alta: as empresas têm a necessidade de visualizar com maior facilidade os resultados financeiros, para eventuais correções no plano estratégico.

Gerente de projetos e estruturação ou Gerente de Investimento

O que faz: fica responsável pela avaliação de empresas (Valuation), planejamento financeiro (FP&A) e estruturação de Parcerias Público-Privadas (PPP).

Perfil da vaga: experiência em gestão e elaboração da modelagem financeira

Salário: 15 a 20 mil reais

Por que está em alta: com a mudança de governo, novos negócios e novas empresas chegam ao país.

Analista de Planejamento Financeiro

O que faz: faz relatórios gerencias para tomada de decisões estratégicas

Perfil da vaga: é preciso conhecimentos na área financeira, assim como conhecimentos de tecnologia, como softwares de geração de relatórios e análise de dados.

Salário: 7 a 9 mil reais

Por que está em alta: as empresas precisam cada vez mais de dados acurados para tomar decisões rápidas e assertivas.

Gerente de Planejamento Financeiro

O que faz: responsável pelo orçamento, análises mensais entre o que foi orçado e realizo, além de projeções de gastos. Em algumas empresas, também é responsável por realizar estudos de viabilidade econômica financeira.

Perfil da vaga: pessoa com perfil analítico, com capacidade de comunicação apurada (trata com diversas áreas) e com uma visão focada no melhor cenário para empresa no futuro.

Salário: 18 a 33 mil reais

Por que está em alta: além de avaliar possíveis reduções de custos nas empresas, vai ser um profissional valioso na busca de novos investimentos e seus retornos.

Especialista Tributário

O que faz: faz a apuração de impostos diretos e indiretos e o atendimento à auditoria. Ajuda com o planejamento tributário da empresa para recuperação de crédito.

Perfil da vaga: inglês avançado será diferencial para maior parte das empresas, além de boa comunicação para transitar entre áreas. O profissional precisa ser pró-ativo e ter ótima interpretação de texto, para pesquisas recorrentes de legislação.

Salário: 9 mil a 15 mil reais

Por que está em alta: o cenário pós-crise está forçando as empresas a reestruturar a área tributária para que consigam se planejar para um novo momento de expansão da economia, ao mesmo tempo reavendo créditos com o governo.

Gerente Tributário

O que faz: responsável por avaliar possíveis ganhos financeiros que a empresa pode ter de acordo com o regime tributário, benefícios fiscais ou novos investimentos (por exemplo, uma planta em outro estado que traz benefícios fiscais).

Perfil da vaga: profissional técnico, costuma ter formação acadêmica sólida e habilidade estratégica.

Salário: 18 mil e 27 mil reais

Por que está em alta: ele traz ganhos financeiros, além de conseguir recuperar créditos fiscais ou diminuir a tributação em cima da empresa.

Gerente de Tesouraria

O que faz: é o profissional que realiza os investimentos da companhia, pensando no capital a ser investido e os retornos financeiros que eles podem trazer, além do gerenciamento das dívidas, prolongando as negociações com bancos, clientes e fornecedores.

Perfil da vaga: profissional analítico, com bom raciocínio lógico, organizado e com forte visão de mercado.

Salário: 15 a 28 mil reais

Por que está em alta: a posição é extremamente importante para a saúde financeira de uma empresa.

Gerente de Auditoria

O que faz: profissional responsável por auditar todos os processos das áreas interlocutoras da empresa. Sempre atuando de maneira consultiva, como se fosse um parceiro de negócios, visando melhorar os processos e controles.

Perfil da vaga: pessoa analítica, observadora, organizada e discreta

Salário: 15 mil a 28 mil reais (com bônus da função)

Por que está em alta: a posição é importante para manter os controles e garantir a confiabilidade de uma empresa. Um bom auditor é fundamental para garantir a conduta da companhia e a credibilidade nos serviços prestados.

Gerente de Parcerias e Canais

O que faz: é a pessoa que cria as estratégias para atingir metas de produtos e serviços

Perfil da vaga: ter a capacidade de encontrar novos parceiros comerciais por meio da análise do perfil de empresas e avaliação de nichos de mercado.

Salário: 15 mil a 20 mil reais

Por que está em alta: posição estratégica para aumentar a capilaridade dos produtos e serviços ofertados. Com a retomada de mercado, é essencial criar parcerias rentáveis e de alto valor agregado.

Consultor de Investimentos

O que faz: gerencia uma carteira de investimentos da empresa

Perfil da vaga: profissional altamente comercial para obter mais clientes, alto conhecimento de produtos financeiros para recomendar a melhor opção para seu cliente.

Salário: a partir de 8 mil reais e bônus variável

Por que está em alta: com o acesso livre de todo tipo de investidor (de médio ou alta renda) a uma cultura de investimento, o profissional que realmente sabe o que dizer e como direcionar pessoas para investir é um grande diferencial. Além disso, o volume de ‘agentes autônomos’ que o mercado necessita atualmente é gigantesco.

13 cargos quentes em vendas e marketing com salários de até R$ 25 mil

Levantamento exclusivo da Exame.com contou com as participações de Fernando De Vincenzo e Tatiana Lemke, ambos heads da área de Mercado da Produtive, e de outras empresas da área de Recursos Humanos, que mostram as tendências do mercado de trabalho nas áreas de vendas e marketing.

 

 

O mercado vive um momento de expectativa. Após um longo período de recessão no Brasil, as empresas esperam um sinal de crescimento da economia em 2019 para voltar a investir e expandir seus negócios.

De acordo com Gabriel Santos, gerente sênior da divisão de Vendas & Marketing e Serviços Financeiros da Talenses, isso deve refletir dentro do mercado de trabalho nas áreas de Vendas e Marketing.

Para se recuperar dos anos de atraso, as empresas vão procurar melhorar o desempenho das vendas, com foco no consumidor e em tomadas de decisão utilizando dados. Por isso, há uma maior destaque neste ano para os especialistas em inteligência de mercado e experiência do cliente.

Segundo Santos, por essas razões, vão se destacar profissionais que tenham maior entendimento sobre os negócios da empresa, não importa sua formação principal, e que consigam adaptar os produtos a cada parceiro e ter um visão das necessidades dos clientes.

Para entender melhor as tendências do mercado para Marketing e Vendas, EXAME fez uma pesquisa entre empresas e consultorias sobre os profissionais e cargos mais requisitados nos próximos 12 meses. Confira:

Gerente de Marketing Digital

O que faz: gerencia e acompanha performance em Google Adwords e Analytics, desenvolve SEO e campanhas de e-mail marketing e ações digitais, a fim de gerar leads qualificados para conversão em vendas e fortalecimento da marca

Perfil: formação em administração de empresas, marketing, publicidade e propaganda, entre outros cursos relacionados. A maioria das empresas exige pós-graduação ou MBA focado no digital. As empresas procuram pessoas pró-ativas, com boa comunicação e inglês avançado

Salário médio: entre 16 mil e 20 mil reais

Por que está em alta: as empresas atuam cada vez mais no meio digital para trabalhar branding, produtos e serviços

Gerente de Marketing Branding

O que faz: Sua função é elaborar a estratégia da marca, incluindo a definição de estilos, visão e valores propostos da marca para o mercado – a curto e longo prazo.Também ajuda na execução da comunicação, branding dos produtos e atividades publicitárias em todos os canais.

Perfil: com graduação em administração, economia ou engenharia, publicidade e marketing. Um gerente de branding precisa ter fortes habilidades de comunicação, inglês fluente, manter excelente relacionamento com os colegas e contatos externos, ter uma atitude proativa, ser analítico e ambicioso

Salário médio: cerca de 20 mil reais

Por que está em alta: hoje a concorrência está muito alta, levando as empresas apresentarem seu produto e sua marca associando valores importantes para o consumidor, mantendo a integridade da marca através de todas as atividades de marketing e de comunicação da empresa

Gerente de Vendas (Hunter)

O que faz: são profissionais que atuam na área de vendas em mercados digitais, seja e-commerce, market place ou empresas tradicionais que tenham também uma área digital. Eles procuram abertura de novos canais de vendas

Perfil: une atributos como a habilidade de negociação (vivência no mercado de vendas) e habilidade analítica, ou seja, inteligência do mercado de vendas. Segundo a Stato, a vaga exige um perfil mais “agressivo” de vendas.

Salário médio: entre 8 mil e 15 mil reais

Por que está em alta: a área está em alta justamente porque torna a área de vendas cada vez mais inteligente e, assim, garante resultados mais positivos. Empresas que precisam ser competitivas e procuram expandir os negócios devem contar com esses profissionais

Gerente de Desenvolvimento de Negócios

O que faz: esse profissional é responsável por definir a política e estratégia de execução junto a liderança da companhia com foco em buscar novas frentes de negócio, desenvolver contas estratégicas e gerar oportunidades ainda não trabalhadas

Perfil: é “multitarefas” e com perfil consultivo, capaz de desenhar planos de ação a serem executados em campo, além de capacidade analítica de acompanhar todos indicadores de performance. Competências comportamentais são fundamentais para esta posição, assim como persuasão, resiliência e boa comunicação

Salário médio: entre 12 mil e 18 mil reais

Por que está em alta: a área é destaque em momentos de retomada e crescimento, com novo foco em aumentar participação de mercado e consequentemente faturamento. O setor de Serviços e Indústria vem demandando este perfil com mais frequência

Coordenador de Vendas Regional

O que faz: coordena as atividades de vendas, orienta vendedores e representantes e analisa performance da equipe, visando o cumprimento de metas

Perfil: são profissionais com forte vivência em vendas e gestão de equipe de vendas.

Salário médio: entre 10 mil e 12 mil reais

Por que está em alta: o mercado de trabalho está aquecendo aos poucos e as empresas estão expandido seus negócios. Para isso é necessário um profissional que tenha a capacidade de gerir uma equipe de forma eficaz e com forte habilidade comercial

Gerente Comercial

O que faz: cuida da estratégia de negócio, planejamento e desenvolvimento de produtos

Perfil: precisa ter experiência em expansão de negócios, liderança de pessoas e inglês fluente

Salário médio: cerca de 20 mil reais

Por que está em alta: mercado está retomando crescimento e a demanda para área comercial aumenta

Gerente Comercial (canal indireto)

O que faz: é responsável por qualificar e gerir o relacionamento, margem e volume de vendas indiretas para distribuidores ou revendas

Perfil: é necessário ter senioridade para entender o modelo de negócio do canal e propor uma solução “ganha-ganha”. Habilidade de influência, boa capacidade analítica, negociação e conciliação

Salário médio: entre 15 mil e 25 mil reais (com direito a bônus e comissões)

Por que está em alta: o modelo de vendas indiretas permite maior capilaridade e penetração em diferentes clientes/regiões. É um modelo com custos fixos menores e que cria um ecossistema de vendas positivo. Essa posição vem crescendo nos mercados de tecnologia e bens de consumo

Analista de Marketing e Comunicação Digital

O que faz: é o profissional que vai efetivamente se comunicar junto com o público nas mídias sociais para comunicar o que a empresa considera estratégico

Perfil: é preciso ter conhecimento técnico sobre todas as métricas e assuntos relacionados ao tema, estar atento às constantes atualizações das redes sociais, conhecer bem o público de cada empresa ou cliente. Em termos de habilidades comportamentais, é preciso que esse profissional saiba cumprir prazos e tenha agilidade

Salário médio: entre 3 mil e 7 mil reais

Por que está em alta: cada vez mais, as empresas estão buscando interagir com o público nas redes

Gerente de Inteligência de Mercado

O que faz: esse profissional fica abaixo do guarda-chuva de pesquisa e mapeamento de mercado, de produto e de suporte para área comercial que oferece indicadores de respostas de mercado

Perfil: formação, normalmente, em marketing ou administração. Para esta posição, as empresas estão abertas para formação em engenharia também

Salário médio: entre 18 mil e 23 mil reais

Por que está em alta: como as empresas precisam resgatar o que foi perdido nos anos de economia em recessão, ter a estratégia mais alinhada com indicadores reais trarão um crescimento mais rápido

Especialista em Experiência do Cliente

O que faz: pode ficar junto com a área de Marketing e de Inteligência de Mercado ou pode ser uma cadeira específica, como há na Oracle e IBM. O profissional deve atuar na relação entre marca e cliente, viabilizando processos que facilitem essa experiência

Perfil: a formação, normalmente, é em marketing ou administração, com especialização específica em gestão de processos e projetos

Salário médio: entre 18 mil e 23 mil reais

Por que está em alta: as startups trouxeram grandes ensinamentos para o mercado corporativo tradicional. A visão de experiência com o cliente e tendências de relacionamento com o consumidor passam a ser incorporadas nos processos para atrair e fidelizar consumidores

A importância do legado

Nos períodos de recessão, a necessidade de recolocação faz com que muitos profissionais sejam obrigados a aceitar posições inferiores. E, assim que a economia melhora, a decisão de trocar de emprego tem um impacto, mas com um preço a pagar. Veja a reflexão de Rafael Souto sobre o assunto no artigo que fez para a nova edição da Você S/A.

Nossa oscilante economia nos ensinou a sermos malabaristas na gestão das nossas vidas.

Entre crises e períodos de crescimento seguimos sobrevivendo. Olhando rapidamente para o passado, em poucos anos, enfrentamos tormentas de desemprego e períodos de exuberância econômica com intensa oferta de trabalho.

A habilidade de lidar com essas oscilações transformou o profissional brasileiro num guerreiro global. Fato é que várias empresas ao redor do mundo reconhecem nossa capacidade de adaptação e improviso. Não à toa, os muitos anos de experiência lidando com o caos, gera musculatura e repertório para gerenciar essas mudanças.

No entanto, esse caldo de instabilidade gera alguns efeitos nocivos na condução da carreira. Nos períodos de crise, a necessidade de recolocação faz com que muitos profissionais sejam obrigados a aceitar posições inferiores. A redução de salários gera desconforto e impacta na decisão de troca de trabalho assim que a economia melhora.

Por outro lado, os períodos de crescimento intenso mostram um déficit de pessoas qualificadas e obriga com que as empresas contratem com muita voracidade, gerando ofertas irresistíveis e movimentos de carreira impensados.

Foi esse movimento que aconteceu em 2012, quando a economia se recuperou da crise global entre 2008 e 2009 e causou expansão em oportunidades de trabalho jamais vista.

Chegamos a crescer 7,5% e isso gerou um exército de profissionais que ficavam especulando oportunidades e trocando de trabalho a cada seis meses.

Nesse pêndulo dramático de crises e crescimento, não podemos esquecer da construção dos ciclos consistentes na carreira. Um profissional é avaliado pela história que constrói. Os resultados que deixa nas empresas que passou. O legado que vai se formando é o ativo de carreira que forma a marca profissional.

As trocas frenéticas de emprego movidas pelas oportunidades que surgem podem transformar a carreira numa lista de trabalhos sem conclusão.

O mercado é cruel e não deixará de avaliar de forma negativa o currículo sem consistência. A regra dos ciclos consistentes vale para todos, do estagiário ao presidente. É necessário ter projetos com início e conclusão para formar uma carreira de valor.

Se você ficar sempre pensando no próximo emprego, se tornará um especialista em explicar porque trocou de trabalho ao invés de mostrar as suas realizações.

Esta escolha pode surgir amanhã, mas antes de mudar, reflita sobre seu legado e o ciclo que está na empresa. Investigue a cultura e o novo projeto com profundidade. Boas explicações sobre trocas de emprego não sustentam uma carreira, mas sim o trabalho que foi construído em cada empresa.