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Estas carreiras ignoram desemprego, oferecem vagas e pagam até R$ 20 mil

Reportagem do UOL mostra as áreas mais promissoras do mercado de trabalho. Quem fala sobre o tema é o gerente de mercado da Produtive, Fernando De Vincenzo.

Em tempos de alto índice de desemprego, falar sobre boas vagas é, no mínimo, surpreendente. Mas elas existem, e as empresas dizem até ter dificuldade para preenchê-las. Segundo especialistas, áreas como tecnologia, venda e marketing, office support, técnica e financeira se mostram especialmente promissoras.

Para conseguir uma colocação, independentemente da formação, o candidato precisa investir na atualização constante, aconselham.

Na agroindústria, os produtores já usam drones para fiscalizar plantações, além de colheitadeiras com tecnologia embarcada, capazes de acompanhar a meteorologia.

O UOL convidou Fernando De Vincenzo, gerente de mercado da consultoria Produtive, e também o headhunter Renato Trindade, gerente da empresa de recrutamento Page Personnel para apontarem os cargos mais procurados no mercado atualmente.

Tecnologia

Cientista de dados – Esse profissional vai lidar com informação, big data e, especialmente, ter um olhar analítico sobre esse universo de dados. É uma profissão bem posicionada, inclusive internacionalmente. Remuneração: de R$ 8.000 a R$ 14 mil.

Segurança cibernética – Além das inúmeras transações financeiras efetuadas virtualmente e, principalmente com criptomoedas, a segurança será cada vez mais imprescindível e, segundo Trindade, faltam profissionais para lidar com isso. Há possibilidade de desenvolver carreira internacional. Remuneração: de R$ 12 mil a R$ 20 mil.

Vendas e marketing

Sales e marketing – São postos de inteligência comercial e de mercado. “Esqueça o profissional de vendas que existiu até ontem. Daqui para frente, as empresas buscarão pessoas capazes de fazer análises profundas do mercado”, disse Trindade. Elas precisarão conhecer produtos, estratégias e a regulamentação; antecipar oportunidades, fazer análise de números, conhecer e acompanhar a movimentação de mercado em que atuam tanto nacional quanto globalmente. Remuneração: de R$ 4.000 a R$ 10 mil.

Office support

Assistente ou assessor(a) executivo(a) – Aquela secretária clássica, que controlava a agenda de compromissos do chefe, providenciava assinaturas e organizava o fluxo do escritório, dá lugar a este novo profissional. Seu papel é assessorar o executivo na tomada de decisões e desenhar a pauta da agenda. Deixa de ser o profissional operacional e torna-se estratégico. Remuneração: de R$ 8.000 a R$ 14 mil.

Área técnica

Engenharia de segurança – Cresceu no mercado mundial –e por aqui não será diferente– a busca por profissionais especialistas em incêndios, desastres, acidentes e pânico. “As empresas olham para esse aspecto com especial atenção. Mas o conhecimento básico não será suficiente. Ele deverá se atualizar constantemente sobre novas possibilidades e riscos”, disse Trindade. Remuneração: de R$ 9.000 a R$ 15 mil.

Finanças e tributos

Finanças digitais – O tradicional consultor do mercado financeiro e de tributação não tem a rapidez e o conhecimento para atender às novas exigências, afirmou Trindade. A tecnologia impactou esse mercado, que introduz rapidamente inteligência artificial e recursos de computação para resolver questões. Tanto é que cresce o número de fintechs, disse. O mercado busca profissionais conectados às novas tecnologias. Remuneração: de R$ 10 mil a R$ 16 mil.

Perfil mais generalista, menos especialista

Para Fernando De Vincenzo, nas áreas estratégicas a partir do posto gerencial, os profissionais buscados pelo mercado serão mais generalistas, e não mais especialistas. Um diretor precisará conhecer e entender da área jurídica, de gestão de pessoas, de TI, do setor financeiro. Na prática, se antes havia oito diretores na empresa, agora serão cinco com valor agregado, disse ele.

Na indústria, o operário do chão de fábrica precisará fazer a leitura geral dos processos e entender como eles acontecem. O movimento da indústria 4.0, em que as máquinas e os equipamentosestão conectados, assim como todos os processos, exigirá profissionais que conheçam a tecnologia para se recolocar no mercado e deixar de atuar com o operacional repetitivo.

Estas profissões e cargos estão em baixa no Brasil

Pesquisa exclusiva da Exame.com, realizada com a Produtive e outras consultorias especialistas de mercado, mostra as posições que estão em baixa. Confira a lista.

Segundo pesquisa exclusiva com especialista de mercado de trabalho, não está fácil encontrar oportunidades para certas profissões

O cenário para o profissional brasileiro não é otimista: o país tem mais de 65 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho porque desistiram de procurar emprego. Segundo o IBGE, o desemprego no trimestre até maio foi de 12,7%. E o Índice de Medo do Desemprego, medido pela CNI em junho, ficou acima da média histórica.

Seja pela redução de custos necessária à sustentabilidade dos negócios ou pela  introdução de novas tecnologias, a demanda por alguns profissionais caiu em 2018, segundo consultorias. Os profissionais mais afetados são os das áreas de Marketing e Engenharia Civil.

O primeiro foi afetado principalmente pela migração das mídias tradicionais para o online. A função não desapareceu, mas passou por uma transformação. É o que destaca Raphael Falcão, diretor da HAYS Response.

Para ele, o processo que antes era dividido entre várias pessoas virou atribuição de apenas um profissional que deve gerir todo o processo.

“Não houve uma mudança dos cargos e profissões, mas uma readequação. O que exige, cada vez mais, conhecimento e especialização para atuar nas áreas, seguindo as tendências da tecnologia e digitalização”, explica ele.

Além da crise, os grandes projetos de infraestrutura foram afetados pela Operação Lava Jato. Desde 2015, as principais empreiteiras do setor perderam R$ 55 bilhões em faturamento, levando a cortes de custo e redução no quadro de funcionários.

Mesmo que a profissão tenha figurado no ranking de empregos formais de nível superior, isso não significa que o mercado esteja aquecido para os engenheiros. Nos quatro primeiros meses do ano, foram menos de 3 mil contratações. O que é um problema em comparação com os mais de 80 mil formados por ano, de acordo com dado de 2015 da Fapesp.

No segmento bancário, junto com o surgimento de aplicativos que digitalizaram os serviços, a diretora de operações da Produtive, Claudia Monari, aponta a influência das fusões e aquisições na baixa demanda. “O mesmo ocorreu, no início dos anos 2000, com as indústrias farmacêuticas, que passaram por muitas fusões e aquisições”, conta.

Confira a lista de cargos e profissões em baixa, resultado de pesquisa exclusiva de EXAME realizada com as consultorias Talenses, Produtive e Hays:

Advogado corporativo

O que faz: especialista em relações trabalhistas, licitações e contratos
Por que está em baixa: a função está sendo substituída por empresas especialistas nesses assuntos, que, por sua vez, acabam ficando mais atualizadas nas leis, segundo a Produtive

Profissional do segmento financeiro

O que faz: São profissionais de todas as áreas de bancos (RH, Marketing e Finanças)
Por que está em baixa: Por conta de fusões e aquisições e do investimento constante em tecnologia e digitalização dos processos, afirma diretora de operações da Produtive

Profissional de Marketing

O que faz: trabalha com ações voltadas à prospecção de produtos, serviços e clientes
Por que está em baixa: o mercado tem pedido por profissionais de marketing, mas que também exerçam funções de vendas, segundo a Produtive.

“Com o rápido e intenso avanço de novas tecnologias, profissionais como marketing digital, e-commerce e business intelligence estão em alta, enquanto profissionais especializados em canais de comunicação tradicionais estão perdendo espaço”, explica Rebeca Mayan, gerente da divisão de Vendas e Marketing da Talenses.

Liderança em Compras

O que faz: Gestão de compradores
Por que está em baixa: Hoje, essa função migrou para Supply Chain ou Manufatura. Segundo a Produtive, o máximo que o mercado pede é o especialista em Compras na posição de Comprador

Gestão de Trade

O que faz: Cuida do produto nos Pontos de Vendas e analisa os indicadores de saída dos produtos
Por que está em baixa: O mercado ainda demanda a posição de especialista, segundo a Produtive, mas a gestão foi migrada para o Head de Marketing.

Gestão de Pricing

O que faz: Levantamento da composição do produto e como lucrar com ele
Por que está em baixa: Antes um braço da área de Marketing, a posição agora é acompanhada pela área comercial ou de operações, que, segundo a Produtive, absorveram as demandas por terem outras análises de suas áreas.

Gerente Industrial

O que faz: Gestão geral de fábricas
Por que está em baixa: O setor industrial também foi muito afetado pela crise, principalmente o automotivo. De acordo com a Produtive, a abertura de novas posições na área foi afetada

Analista de Infraestrutura

O que faz: Profissional que assessora os servidores e data center
Por que está em baixa: A infraestrutura física e tradicional está sendo substituída cada vez mais pela computação em nuvem. O gerente da divisão de Tecnologia da Informação da Talenses, Leandro Bittioli, aponta a importância do profissional de infraestrutura se atualizar com temas atuais.

Especialista de RH em treinamento e desenvolvimento

O que faz: Planeja o programa de treinamento e desenvolvimento organizacional para colaboradores
Por que está em baixa: Devido à crise nos últimos anos e consequente descapitalização das empresas, a falta de investimento interno afetou a demanda pelo profissional, segundo o gerente da Talenses, Guilherme Malfi

Especialista em M&A (dentro das empresas)

O que faz: Responsável por coordenar a operação de M&A dentro das empresas envolvidas no processo
Por que está em baixa: No geral, esses profissionais costumam ser requisitados apenas em empresas multinacionais, para intermediar o contato com a sede da companhia no exterior. Segundo Felipe Brunieri, gerente da divisão de Finanças e Tributário da Talenses, em empresas nacionais, as fusões e aquisições costumam ser liderados pelo CFO e assessorados por bancos de investimentos, não há equipe interna

Relações com investidores

O que faz: Faz a ponte da empresa com o mercado financeiro, seja para contatar investidores, bancos ou negociar M&As
Por que está em baixa: A área teve menor demanda em decorrência da crise econômica. Segundo gerente da Talenses, a área se tornou mais enxuta ou foi absorvida por outras áreas

Exportador de talentos

Na edição de hoje do jornal Zero Hora, Rafael Souto explica porque a região Sul do país está exportando profissionais qualificados.

Somos um povo de tradição valorosa. Os gaúchos são admirados por sua dedicação ao trabalho e pelo amor à terra. Cantamos nosso hino com fervor e nos orgulhamos da nossa história.

Mas, tenho observado que temos falhado do ponto de vista de construção de uma economia forte.

O sopro da modernização, que trouxe investimentos no final da década de 1990, foi esmagado por uma sucessão de governos que sobrecarregaram a máquina pública e retiraram a competitividade do Estado. Sem capacidade de honrar compromissos e investir em áreas essenciais, como segurança, saúde e educação, fomos perdendo espaço no cenário nacional.

Nosso brilhante protagonismo empreendedor do século passado, que abriu inúmeros negócios de alta representatividade e formou uma base de profissionais qualificados, faz parte do passado.

Em 2017, a consultoria inglesa Economist Intelligence Unit publicou um ranking de competitividade dos Estados, no qual mostra o Rio Grande do Sul no amargo nono lugar. Foi a pior colocação desde a primeira edição, realizada em 2011.

Nosso amor à “peleia”, que se traduz num eterno conflito para gerar mudanças, é um entrave para a reforma do Estado e para as nossas mentes. Quando a decisão de cercar um parque vira uma enorme polêmica, definições de alto impacto, como reduzir gastos públicos, privatizar e tornar o Estado viável, se transformam numa tarefa impossível para qualquer governo.

Segundo dados do Caged, o Rio Grande do Sul terminou 2017 com mais de 8 mil posições fechadas e, os outros Estados do Sul, com saldo positivo. Enquanto nos mantivermos apenas saboreando nossa eterna cultura Gre-Nal, baseada na polarização das ideias, perderemos cada vez mais empresas e profissionais talentosos.

Em que pese a crise econômica que assola o país desde 2014, nossos problemas com geração de oportunidades duram mais de uma década. O esvaziamento de vagas, a ausência de novas empresas, um estado insolvente e incapaz de gerar atratividade são alertas que levam pessoas qualificadas a buscarem trabalho fora do Rio Grande do Sul.

Parece que chegamos ao fundo do poço e que esse seja o momento de refletir para construirmos novas estratégias. O modelo atual está nos posicionando como exportadores de talentos e essa está longe de ser uma boa escolha, uma vez que o estoque acabará um dia.

Na retomada, a volta dos carreiristas de plantão

Para a sua coluna no Valor Econômico, Rafael Souto fala sobre o risco de se tomar decisões de carreira precipitadas por conta de mais oportunidades de emprego.

 

 

Um dos temas preferidos nas rodas de conversas de fim de ano é economia. Em um país marcado por uma instabilidade quase esquizofrênica, as discussões sobre comportamento do PIB, mercado de trabalho e política são estímulos para calorosos debates.

Os dados projetados para 2018 apontam para uma retomada mais consistente da economia, considerando queda no desemprego, ainda que timidamente. Os trágicos e sombrios anos de recessão parecem estar sendo vistos apenas pelo retrovisor. O fim da maior crise econômica da história brasileira mostra estar próximo.

As projeções revelam uma tendência inevitável: as empresas voltarão a contratar. Iremos vivenciar um novo ciclo de oportunidades de trabalho e contratações.

Em 2010, passamos por um período similar. Após o impacto da crise internacional de 2008, o Brasil cresceu muito. Os empregos brotavam por todos os lados e surgiu um novo tipo de perfil profissional: o carreirista de plantão.

Sem nenhuma preocupação com a sua imagem, o mantra desse grupo era: “estou aberto às oportunidades”. Bastava surgir um convite para o carreirista analisar. Participar de processos seletivos e vencê-los era uma questão de honra. Já não importava avaliar o impacto da mudança e o ciclo que ele estava realizando na empresa atual. O foco era o novo desafio.

A partir daí, reforçamos um drama corporativo que já vinha se consolidando desde o início deste século, quando o profissional passava por períodos curtos e inconsistentes em cada empresa. Um festival de trocas sem avaliar os resultados e o amadurecimento do trabalho.

Não houve tempo de fazer nada. Simplesmente substituíam as oportunidades que surgiam e se lambuzavam com a abundante oferta de trabalho.

Foi então que se construiu uma geração de profissionais que passava mais tempo explicando por que trocou de trabalho, ao invés de destacar as suas realizações nas empresas.

Esse fenômeno foi uma resposta descalibrada – como é comum no Brasil – ao ciclo de longos períodos de trabalho em uma mesma empresa que vivenciamos até o final da década de 90.

Naquela época, era comum os profissionais permanecerem por mais de 15 anos na mesma organização. Essa fase do emprego para a vida toda foi chacoalhada pela globalização e os movimentos de reestruturação do final do século passado. Esses profissionais eram tidos como jurássicos e defasados porque viveram uma única experiência. O profissional desejado e disputado era aquele que tinha mais empresas na sua trajetória. A diversidade de experiências passou a ser sinônimo de empregabilidade.

O efeito colateral foi a enxurrada de carreiras inconsistentes. O mercado logo passou a expurgar esses profissionais e considerá-los como instáveis e não confiáveis. De um lado, tínhamos profissionais de uma única empresa com suas limitações, e do outro, passamos a aplaudir movimentos sem o devido planejamento com a falsa ideia de que múltiplas empresas no currículo mostrava um grande feito na carreira. A solidez de uma carreira vem da construção de ciclos em que os resultados em uma empresa possam ser explicados. As trocas de trabalho precisam fazer sentido em uma estratégia de desenvolvimento profissional. O ciclo ótimo de carreira pode durar dois ou dez anos em uma organização. Mas, certamente, em seis meses ou um ano não é possível ter alguma história robusta para contar.

O ponto que trago como reflexão não é a quantidade de anos em uma empresa, mas sim o legado. Assim como as empresas precisam construir suas marcas por meio de histórias consistentes produzidas no tempo, o mesmo vale para os profissionais.

Precisamos priorizar o planejamento de carreira para medir o impacto dos movimentos profissionais. Caso contrário, seremos mercenários surfando uma nova onda de crescimento econômico.