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A Síndrome da Vitimização no Trabalho

A cultura de dependência dos profissionais em relação às organizações ainda é algo muito visto no mundo corporativo. No artigo para o Valor Econômico deste mês, Rafael Souto, CEO da Produtive, propõe uma reflexão sobre o assunto.

Escrevo nesta coluna desde 2013 e tenho sido um feroz crítico das incoerências corporativas. Em diversos textos questionei a toxicidade nos ambientes das empresas, a ausência de priorização da agenda sobre pessoas na cúpula da organização, a sobrecarga da média gestão, os modismos e os jogos de poder.

Hoje, proponho uma reflexão sobre uma temática muito presente na agenda das organizações: o protagonismo dos indivíduos.

O mantra está baseado na ideia de que, em função das transformações do mercado de trabalho, não há mais espaço para os profissionais dependentes da empresa e que esperam que seus gestores tomem suas  decisões de carreira e de desenvolvimento profissional. O novo mundo do trabalho exige que as pessoas sejam intraempreendedoras, tenham visão de dono e ajudem as organizações a superarem as tormentas da competição e da rápida modificações dos negócios.

O problema é que estamos discutindo uma profunda mudança cultural nas relações de trabalho. Para não ficarmos em mais um dos modismos do rico dicionário corporativo, precisamos compreender essa transformação e definir as estratégias para conduzir as próximas etapas.

O mercado de trabalho brasileiro foi construído com base na premissa de hipossuficiência do trabalhador. Desde a consolidação das leis trabalhistas, nos anos de 1940, o empregado é visto como vítima da organização. Todo o processo de desenvolvimento do mercado de trabalho foi construído nesse modelo, sendo o empregado a parte fraca da relação, que precisa ser protegido e guiado pela empresa.

O modelo mental carrega essa premissa até os dias de hoje. A lógica de gestão está baseada em comando e controle e estruturas hierárquicas tradicionais. A carreira é gerida pela empresa e o funcionário se adequa aos espaços que lhe forem oferecidos. Não há protagonismo. A cultura vigente ainda é de paternalismo e submissão.

Ao longo do tempo surgiram vários efeitos colaterais desse modelo que estão mais acentuados nos dias de hoje em função da necessidade de transformação das organizações e do colapso da previsibilidade do plano de carreira que havia no passado.

Do lado do indivíduo, o dano foi criar uma base de profissionais que carregam a terceirização dos problemas de suas carreiras no dia-a-dia. Agem como consumidores dentro da empresa. O principal discurso é falta de “feedback”, ausência de informações sobre oportunidades de carreira, críticas sobre a subjetividade das decisões, política empresarial e de processos de gestão de pessoas. A agenda é carregada de reclamações. O principal desafio parece ser encontrar sempre o culpado para suas dificuldades.

Se olharmos esse comportamento por faixas etárias, percebemos que ele é uma característica transgeracional. Mesmo os mais jovens foram criados por pais da “geração do emprego para a vida toda” e do paternalismo empresarial.

Embora vejamos discursos muito simpáticos sobre satisfação e propósito de carreira, na prática, as pessoas ainda esperam por um plano de carreira na empresa e por chefes que lhes digam todos os passos a serem seguidos. O protagonismo é só um discurso de impacto. Em recente estudo, o site Career Builder verificou que 65% de 700 jovens ainda almeja um plano de carreira oferecido pela empresa. É uma conversa moderna com modelo mental do século passado.

Quem está na posição de liderança acaba somando para esses efeitos ficarem ainda mais negativos. Isso porque a dificuldade em lidar com a diversidade de visões sobre carreira, a falta de diálogo, o medo de enfrentar discussões difíceis sobre desenvolvimento e um rol de limitações decorrentes de uma cultura em que o líder precisava para comandar e ter todas as respostas ainda são pontos precários de atuação. O atual cenário de negócios não permite mais previsibilidade e clareza de respostas, temos líderes presos em uma ratoeira, que é armada pelo próprio sistema de trabalho.

A ideia contemporânea de protagonismo do indivíduo exige curiosidade para explorar caminhos. O controle da carreira passa a ser do profissional, inclusive para decidir trocar de empresa se as oportunidades não estiverem alinhadas aos seus objetivos.

A relação entre líderes e suas equipes precisa ser construída com confiança para que as conversas mais árduas ocorram de maneira construtivista nas quais ambos busquem por soluções alternativas. Não é mais possível esperar da empresa todas as respostas. Elas cabem ao profissional que assume o volante de sua carreira. A organização precisa construir uma cultura que permita essa reflexão permanente e oportunize ferramentas para que os profissionais possam realizar os seus projetos de carreira.

 

7 atitudes para evitar em reuniões com chefes e outras pessoas importantes

Sentar à mesa com alguém que decide não só o seu futuro, mas dita os rumos da empresa, é uma oportunidade para se destacar. A seguir, especialistas dão dicas do que não fazer, para preservar sua imagem profissional diante de pessoas influentes.

Chegar em cima da hora

Não é só chegar atrasado que pega mal. Entrar quando a sala já está cheia pode causar constrangimento, pois talvez você tenha que ficar afastado do restante da sua equipe, em um local nada estratégico. Além disso, se a figura mais importante já estiver lá, pode pintar uma dúvida sobre como abordá-lo – de maneira mais formal ou descontraída? -, principalmente se você ainda não a conhece.

Tratar um sujeito conservador como um amigo de infância pode ser tão ruim quanto usar excesso de formalismo com um líder jovem e despojado. De acordo com Marcia Oliveira, consultora sênior de carreira da Produtive, o melhor é se planejar bem nos dias em que um encontro desses está previsto, avaliando as tarefas a serem realizadas e o tempo necessário para cada uma delas, de modo que consiga chegar pelo menos quinze minutos antes do horário programado ao local da reunião. Segundo a consultora, essa atitude simples demonstra interesse e comprometimento. Quanto mais você souber sobre o tema que será discutido, melhor. Tem que entender o contexto, ter à mão todos os dados possíveis e até se preparar para responder perguntas pontuais que tenham a ver com a sua participação na ideia que será apresentada ou debatida na ocasião. Conhecer o mercado e a concorrência também vai contar pontos a seu favor, principalmente se precisar fazer uma defesa, apontando os diferenciais daquilo em que está investindo o seu potencial profissional.

“Infelizmente, muitas pessoas não se preparam adequadamente para as reuniões, mesmo as mais importantes. Há quem entre na sala sem nem saber o motivo pelo qual foi convocado”, diz Susanne Anjos Andrade, especialista em desenvolvimento humano e autora do livro “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil”. De acordo com a especialista, ter um repertório alinhado com o interlocutor gera credibilidade e cria as bases para um diálogo mais favorável.

Dar uma de puxa-saco

Sentar o mais próximo possível do profissional a quem pretende impressionar, anotar absolutamente tudo o que ele fala, acenar com a cabeça em concordância e até repetir as frases que ele diz, só para reforçar o quanto está alinhado com as ideias que i superior defende, demonstra fragilidade. Com isso, você perde o foco e deixa de perceber os momentos em que a sua participação poderia ser realmente importante, para trazer detalhes ou dados sobre a operação que o chefão, eventualmente, desconheça.

Levar note, caneta, caderno e muitos outros apetrechos também pode atrapalhar, pois, além de ocupar muito espaço, eles podem cair, fazer barulho e desviar a atenção, passando uma imagem de falta de organização e cuidado.

 Falar sem pensar e interromper os outros

A sua imagem profissional será construída não apenas pelo conteúdo que transmitir, mas também pela forma de expressar suas ideias e até pelo tom de voz usado. Por isso, é importante escolher bem as palavras e prestar atenção para manter um tom de voz adequado, mesmo em situações tensas. “Comportamentos agressivos demonstram imaturidade”, diz Márcia.

Cortar a fala do outro é igualmente prejudicial. Segundo Caroline, tentar sobressair-se aos colegas é um tiro no pé. É válido se colocar quando tiver algo relevante a dizer, porém, respeitando as colocações dos outros, ainda que as ideias deles sejam diametralmente opostas às suas.

Entrar mudo e sair calado

O medo de dizer algo errado e perder pontos com alguém tão importante pode fazer com que algumas pessoas prefiram abrir mão de qualquer participação na reunião. Mas, com isso, o profissional também perde oportunidades de valorizar a sua contribuição – por meio de seu talento e experiência – no projeto que está sendo apresentado ou discutido. “É essencial estar disposto e demonstrar interesse em contribuir, durante toda a reunião”, diz Francis Garcia, coach de carreira. Quem faz o possível para passar despercebido pode transmitir a imagem de desleixado, pois, calado durante horas, é quase impossível não bocejar ou não deslizar na cadeira. “Se isso acontecer, beba água, peça um café ou pelo menos anote palavras-chave sobre o que está sendo dito, caso não esteja mesmo disposto a falar”, indica Márcia.

Resolver outras urgências durante a reunião, para ganhar tempo

“Não existe coisa pior do que se reunir com uma pessoa que fica o tempo todo mexendo no celular, respondendo mensagens. Isso faz com que as outras pessoas se sintam desrespeitadas”, alerta Susanne. Caso o aparelho seja o recurso utilizado para fazer as anotações da reunião, é importante comunicar os presentes. Ficar grudado no computador, digitando sem parar, é outro erro comum, que pode causar desconforto entre os colegas.

Durante a reunião, é imprescindível acompanhar o que está sendo dito, para fazer as intervenções em momentos chave. Mais tarde, você poderá focar nas outras demandas e, de modo mais objetivo, resolvê-las.

Usar termos técnicos para mostrar que sabe ou falar muito de si mesmo

Se estiverem presentes, na reunião, pessoas de áreas distintas, evite usar apenas termos técnicos. Em vez disso, dê exemplos e faça comparações para ser facilmente entendido. “Outra dica é trocar falas cansativas por recursos visuais, para chamar a atenção valendo-se de apresentações curtas e objetivas”, afirma Francis.

Também não vale querer falar apenas de como se dedicou ao projeto ou de sua importância no desfecho do resultado que está sendo apresentado. É preciso valorizar a participação dos colegas e, principalmente, mostrar o que a empresa vai ganhar ao aceitar o que está sendo proposto.

Tecnologia ameaça postos de trabalho

Em reportagem para o Jornal do Comércio, Sabrina Malinoski, consultora de carreira da Produtive, fala sobre o temor de robotização no mercado de trabalho e oferece dicas de como o profissional precisa se movimentar para não se tornar obsoleto e desnecessário.
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As mudanças provocadas pela tecnologia no mercado de trabalho devem trazer um impacto, sobretudo no setor de serviços e de mão de obra braçal, no qual boa parte das vagas é ocupada por pessoas com baixa renda. Ao andar por shoppings, restaurantes e até mesmo no transporte público, por exemplo, é possível ver cadeiras vazias, antes ocupadas por trabalhadores e agora substituídas por máquinas.

A tendência se estende para setores como a indústria. Uma pesquisa realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostrou que 62% dos brasileiros empregados no setor  temem perder seus postos para robôs dentro de 10 anos. No entanto, a maioria deles tem a convicção que retornarão ao mercado de trabalho, se as previsões otimistas se confirmarem.

Por isso, a consultora de carreira da Produtive, Sabrina Malinoski, afirma que o trabalhador precisa cada vez mais ser protagonista em sua vida profissional, buscar conhecimento, ter pró-atividade e estar constantemente atualizado com as práticas da profissão. Menos cética em relação ao futuro tecnológico, a consultora vê a educação como parceira do ser humano. “Advogados e contadores, por exemplo, lidam com uma carga de informação gigantesca. Um software é capaz de absorver o trabalho pesado deles em consultas e tomadas de decisão”, avalia Sabrina.

Referente ao setor terciário, como comércio e serviços, ela avalia como essencial a busca pelo estudo, com cursos e formação profissional para que o trabalhador não dependa exclusivamente de uma única ocupação durante toda a vida. “Há muito tempo, vivíamos e morríamos sendo profissional de uma área específica. Hoje, é comum seguirmos várias carreiras”, explica Sabrina. Acostumada a assessorar executivos, ela percebe em seus clientes uma busca cada vez maior por outras ocupações para ampliar os horizontes. Torna-se empreendedor ou seguir como docente são algumas das opções escolhidas.

Acima de tudo, Sabrina vê nas empresas a busca por um perfil de profissional mais “generalista”, ou seja, capaz de operar em mais de um campo com excelência. Ela também ressalta que o surgimento de novas profissões a partir da tecnologia deve ser considerado pelos estudantes ao ingressarem na faculdade, sob uma condição. “É preciso se perguntar: eu gosto disso? Terei prazer em trabalhar com o assunto por vários anos? Não adianta escolher uma profissão tendência nos próximos anos e não se identificar”, afirma a consultora.

 

Como o coaching de carreira pode ajudar você

Você sabia que o coaching voltado para a carreira pode fomentar seu desenvolvimento de forma mais assertiva e rápida dentro de uma organização? Confira a explicação de Kátia Ackermann, Diretora Executiva da Produtive, de como é possível mapear pontos fortes e fracos de um profissional por meio dessa estratégia em mais um dos vídeos de carreira da Exame.com.