Startups atraem profissionais de grandes empresas


Em reportagem especial do Valor Econômico, Rafael Souto, CEO da Produtive, explica por que os executivos de grandes empresas têm preferido trabalhar em Startups.

Novos modelos de negócios, como os oferecidos pelas startups, têm atraído cada vez mais profissionais que atuam em grandes empresas. O movimento é crescente, segundo especialistas em recrutamento e seleção. Levantamento da consultoria Michael Page, feito com 1.000 executivos de alta e média gerência, indica que nove em cada dez profissionais estão dispostos a trocar o ambiente corporativo por uma startup. A maioria dos executivos ouvidos na pesquisa diz que abriria mão de parte do salário para ter mais qualidade de vida e flexibilidade de horário.

O movimento dos executivos que saíram de grandes companhias para atuar em startups não ocorre por acaso, analisa Rafael Souto, CEO da Produtive. “As startups estão ganhando o coração e a alma dos executivos mais preocupados com o projeto, e não apenas com as questões financeiras”, diz. Além disso, os profissionais têm buscado  desafios que possam contribuir com um propósito ou uma causa, diz Souto.

Por mais que brilhem os olhos à primeira vista, a transição não é das tarefas mais fáceis. Um dos principais desafios tem a ver com a mudança de cultura. Em startups, costuma-se trabalhar por projetos e há uma pressão grande por resultados de curto prazo, observa Genis Fidélis, gerente de marketing e digital da Michael Page. “O profissional precisa trabalhar com a cabeça de empreendedor, o que significa uma mudança de mentalidade”, afirma. Isso significa ter capacidade de lidar com uma equipe diversa e, na maioria dos casos, enxuta. Ou seja, é preciso se preparar e ter convicção de que o modelo de trabalho tem a ver com o perfil e o momento de carreira.

Para Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half, o profissional nem sempre vai encontrar o “glamour” nas startups. “É muita mão na massa, muita transpiração, precisa ter resiliência grande”, enfatiza. Ainda que exista flexibilidade de horário, em muitas ocasiões será necessário trabalhar até mais tarde, aos finais de semana e, claro, fazer de tudo um pouco. Sem contar que a remuneração costuma ser menor em relação ao salário recebido em grandes companhias. “Antes de decidir, vale conversar muito bem com os sócios da empresa em que está entrando e com pessoas do mercado que passaram por essa transição”, diz Mantovani.

Foi o que fez Isabela Martins, de 28 anos, diretora de operações da SambaTech. Após passar pelo programa de trainee da Ambev em 2014, no ano seguinte ela se tornou especialista em recrutamento e seleção da companhia, liderando um time com sete pessoas, em Niterói (RJ). Em 2016, foi alçada a gerente da área de gente e gestão, cargo que ocupou por quase dois anos. “Em uma das férias, quis ver o que estava sendo feito em relação a gestão e performance no ecossistema de startups”, conta. Após visitar sete empresas novatas, recebeu uma proposta para trabalhar na SambaTech.

Ela decidiu encarar a mudança. Em agosto de 2017, Isabela assumiu como gerente de performance da startup e há dois meses virou diretora de operações. “A liberdade e autonomia para sempre inovar é o que me motiva”, diz. Apesar da flexibilidade de horário e melhora na qualidade de vida, ela lembra do compromisso com resultados: não importa o período em que trabalhe, é preciso entregar o que foi combinado.

Em geral, as startups procuram profissionais dispostos a aprender rapidamente e com conhecimento em diversas áreas, destaca Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Segundo a  Michael Page, a demanda por analistas, especialistas, coordenadores e gerentes cresceu 50% até março, ante o mesmo período de 2016. “Executivos com boa formação técnica, de bons relacionamentos e perfil analítico, são os mais desejados”, diz Fidélis.

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