O trabalho na próxima década


O mundo do trabalho não para de se transformar. Pesquisas apontam que uma das tendências é a desconstrução dos cargos, ou seja, a capacidade do profissional executar determinada atividade independente de seu cargo. Na reportagem da nova edição da Você RH, Rafael Souto, CEO da Produtive, fala sobre o assunto.

Apenas 9% dos executivos de RH acreditam que as empresas estejam preparadas para o futuro — mas ele está batendo à nossa porta. Descubra quais serão as principais transformações da década de 2020.

Incerteza (ainda) é a palavra que melhor define as perspectivas econômicas para o Brasil ao longo dos próximos anos. Para a crise ficar para trás, é necessária a convergência de vários fatores, que passam pela reforma tributária, a força — ou declínio — da economia chinesa e investimentos em infraestrutura, por exemplo. Em meio a isso tudo, o mercado continua a operar num contexto de alto desemprego, informalidade recorde, falta de profissionais qualificados para diversas áreas e digitalização galopante. E o cenário tende a se tornar mais complicado com o passar dos anos que formarão a década de 20 dos anos 2000.

Esses ingredientes trazem um desafio e tanto para as empresas — especialmente para o RH. A gestão de pessoas terá de se desdobrar para manter e engajar uma força de trabalho que mescla CLT e trabalho freelance, ao mesmo tempo que pensa em políticas que consigam ser flexíveis para atender à diversidade de interesses de carreira, tendo em vista os diferentes perfis profissionais.

Isso tudo somado às constantes mudanças trazidas pela tecnologia, que tem criado modelos de negócios diferentes e novas configurações de trabalho. “Esta década será marcada pela automação das tarefas cognitivas, e não apenas das atividades repetitivas”, diz João Lins, diretor executivo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Quem estiver no mercado nos próximos dez anos vai trabalhar em constante interação com a máquina, não apenas com a mecânica, mas com a inteligência artificial, que toma decisões junto com as pessoas ou no lugar delas.” Na visão de Aguinaldo Maciente, economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao mesmo tempo que as corporações terão de lidar com a transformação digital, vão precisar pensar em mais capacitação interna. “As companhias precisam preparar os trabalhadores tendo em vista a baixa qualidade do ensino no Brasil.”

Porém, o contexto complexo ainda é assustador para a maioria dos executivos. Segundo um levantamento feito pela consultoria de tendências Gartner, apenas 9% dos líderes de RH acreditam que as empresas estejam preparadas para o futuro do trabalho. Para ajudar os gestores de pessoas nesse processo, VOCÊ RH cruzou dados e mapeou as dez principais tendências do mundo do trabalho.

De cargos para tarefas

O futuro do trabalho requer que as profissões sejam pensadas de maneira fluida, aceitando mudanças e reinvenções. Nada de estruturas fechadas e caixinhas hierárquicas. É o que aponta um estudo feito pela empresa de tecnologia e negócios Cognizant, com base em análises e insights coletados em dez anos de trabalho do Center for the Future of Work (CFoW) da companhia. Isso quer dizer que cargos serão desconstruídos. “O que vai importar é a capacidade de o profissional tocar determinada tarefa, e não o cargo ocupado”, explica Tatiana Porto, diretora de RH da Cognizant no Brasil. Ou seja, a hierarquia não vale mais: a capacidade de execução da atividade e os objetivos desejados são o foco.

É a chamada carreira em nuvem, em que a organização do trabalho é menos baseada em cargos e mais no potencial de contribuição das pessoas”, explica Rafael Souto, presidente da consultoria de carreira Produtive.

Na Visa, isso já acontece desde 2017, com a implantação de squads e de metas compartilhadas. Funciona assim: antes de iniciar um projeto, a liderança monta a equipe de acordo com as competências necessárias para que o resultado seja efetivo. No decorrer do processo, se necessário, outros profissionais são chamados para suprir demandas. Hoje, 11 grupos multidisciplinares trabalham dessa maneira em projetos como o Cidades do Futuro, que busca desenvolver ações para aumentar o uso do pagamento eletrônico em cidades brasileiras nas quais ainda há predominância do uso do dinheiro em papel, e a aceitação de pagamento por 2020 aproximação para o transporte urbano no Brasil. Nesses casos, é normal um gerente estar à frente de uma equipe que conta com vice-presidentes e diretores. “É uma forma diferente de trabalhar a hierarquia tradicional”, diz Priscila Mônaco, diretora de RH da empresa.

Essa transformação começou em 2016 com a entrada do novo presidente, Fernando Teles. O executivo percebeu que só mudando a forma como os funcionários trabalhavam seria possível alcançar os objetivos estratégicos da companhia. “Sempre fomos uma empresa extremamente matricial e engessada em termos de estrutura. Mas hoje é essencial acompanhar o dinamismo do mercado e não ter medo de implantar inovações”, diz Priscila. Para isso, a companhia fez uma mudança cultural e dois passos foram muito importantes na busca pela nova mentalidade. O primeiro foi conduzir um workshop para todos os funcionários sobre empresas exponenciais com Salim Ismail, diretor executivo e fundador da Singularity University e coautor do já clássico Organizações Exponenciais (HSM, 54,90 reais).

A iniciativa partiu de um trabalho conjunto do presidente com a área de estratégia, e contou com o apoio do RH. O segundo passo foi fazer, também para todos, treinamentos sobre metodologias ágeis. “Fomos referência para os negócios da empresa em outros países. Hoje as metas compartilhadas são uma ação global e os squads fazem parte da gestão na América Latina”, diz Priscila.

** A reportagem na íntegra você confere no app e/ou revista da Você RH.

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