O queridinho da turma


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Matéria com participação de Rafael Souto publicada na edição de abril da Você S/A:

Sabe aquele profissional bacana e admirado por todos? Em cenários econômicos cada vez mais desanimadores, são eles – os carismáticos – que se destacam. Dá para adotar essa atitude no trabalho, mas é preciso tomar cuidado para não forçar a barra

POR LUCIANA LIMA

Há anos pesquisas e consultores de carreira apontam o carisma como uma habilidade importante para o desempenho profissional de alguém. Segundo Rohit Bhargava, professor da Georgetown University, em Washington, nos Estados Unidos, e ex-vice presidente da Ogilvy, pessoas carismáticas têm mais chances de ser bem-sucedidas nos negócios. No seu livro intitulado Likeonomics: The Unexpected Truth Behind Earning Trust Influencig Behavior, and Inspiring Action (Likeonomics: A Inesperada Verdade por Trás de Conquistar Confiança, Influenciar o Comportamento e Inspirar a Ação, em tradução livre, sem edição em português), lançado em 2012, ele defende que o carisma é um tipo de inteligência emocional que envolve a capacidade de ler corretamente as pessoas e se relacionar com elas.

Essa habilidade é o que diferencia, principalmente, os profissionais que almejam posições de liderança. “Hoje em dia, um grande número de pessoas fala duas línguas, tem uma boa formação e o mesmo nível técnico. Entretanto, nem todos possuem a habilidade de se conectar e influenciar colegas, o que também gera valor para as empresas”, afirma Rodrigo Fonseca, presidente da sociedade brasileira de inteligência emocional (SBie), de São Paulo. “O carisma e a capacidade de motivar as pessoas é o que faz os líderes se tornarem inspiradores e entregarem resultados, mesmo em momentos de crise.”

E no atual momento de recessão e dificuldades econômicas, em que muitas empresas estão passando por reestruturações, e cortando custos, gerando ambientes de muita pressão, o carismático passa a ser mais valorizado. “Mesmo que o profissional não exerça um cargo de liderança, ele pode ter habilidade de envolver os colegas nos momentos difíceis, o que melhora o clima e pode trazer ganhos futuros de carreira”, diz Rafael Souto, presidente da Carreira, com sede em São Paulo.

Muito se engana, porém, quem acredita que essa característica seja algo totalmente natural, impossível de ser desenvolvida ao longo da vida. “Pequenas atitudes diárias podem tornar até mesmo as pessoas mais tímidas um pouco mais carismáticas. Respeitando os próprios limites e sem querer mudar radicalmente é possível adquirir essa competência”, diz Renata Di Nizio, fundadora da Casa da Comunicação, consultoria especializada em treinamento, de São Paulo.

Tome algumas doses de semancol

Ser uma pessoa sociável em nada tem a ver com se tornar uma pessoa indiscreta e inconveniente, que pergunta sobre a vida pessoa de todo mundo. Saber dosar o que e quando perguntar também é importante para não errar a mão. “É preciso realizar uma leitura do ambiente, ver de que forma elas reagem às suas perguntas e quão dispostas estão a interagir”, afirma Rodrigo Fonseca, da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.

Reconheça que precisa melhorar

Nem todo mundo possui a capacidade de ser simpático de forma espontânea. Reconhecer que precisa melhorar esse ponto é fundamental para fazer o movimento de mudança. “Procure se expor um pouco mais, falar em público, melhorar a comunicação com alguns treinamentos, se integrar em projetos pelos quais você tenha mais paixão e conhecimento, porque isso vai dar mais segurança na hora de mostrar suas ideias”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

Saiba o que faz você feliz

Raramente pessoas mal-humoradas são capazes de ser simpáticas e carismáticas. Mesmo nas rotinas mais estressantes, tente adotar pequenas atitudes que aumentem a sensação de bem-estar e a vontade de trabalhar. “Passamos 12 horas do nosso dia no escritório e saímos de casa já irritados. Busque entender o que anima, irrita e motiva você e dê valor para as coisas simples, como fazer exercícios físicos antes do trabalho ou tomar um bom café da manhã, por exemplo”, diz Marcos Gimenez, sócio da Innovative, consultoria de São Paulo.

Lembre-se da sua postura

Preste atenção à forma como você se mostra para os seus colegas. Pessoas cabisbaixas, de ombros caídos, raramente conseguem criar conexões e entusiasmar os colegas. “Você emana carisma quando as pessoas se inspiram em você. É importante criar uma postura de segurança, adquirir um tom de voz firme e seguro para melhorar a comunicação e transmitir mais confiança”, diz Rodrigo.

Inspire-se, sem copiar

Observe pessoas que você considera sociáveis e capte quais comportamentos elas adotam para se tornar assim. Essa inspiração pode vir de líderes ou até de colegas. Só que não tente se tornar uma cópia do outro. “Não crie um personagem com o qual você não se sinta confortável nem que tenha comportamentos que não conferem com a sua personalidade. As pessoas percebem que não é algo natural. Além de que isso não se sustenta por muito tempo”, afirma Rafael.

Sem excesso de confiança

Engana-se quem pensa que só pessoas introvertidas precisam melhorar o carisma e a capacidade de criar conexões. Geralmente, pessoas muito expansivas tendem a ser muito autoconfiantes e às vezes passam uma postura arrogante. “Elas também não se conectam com as pessoas porque não têm capacidade de ouvir. Sem contar que, muitas vezes, acreditam que são autossuficientes e esquecem que precisam dos outros também. Isso é tão destrutivo quanto ser introvertido demais”, diz Renata Di Nizio, da Casa de Comunicação.

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