O preconceito com os mais velhos


Para o jornal Zero Hora, Rafael Souto, CEO da Produtive, escreve sobre a visão prejudicial de mercado quando o assunto é profissionais acima dos 50 anos.

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Há poucas semanas conversei com um empresário que me pediu para indicar um diretor financeiro para sua empresa. Descreveu a extensa lista de aptidões desejadas do super profissional. Ao final, comentou que gostaria de uma pessoa experiente, porque entendia que essa função exigiria alguém com histórico sólido. E complementou que não gostaria de uma pessoa com mais de 50 anos, pois um  profissional nessa faixa etária não teria disposição suficiente para realizar todas as mudanças que a empresa precisa fazer. Assim, o perfil pretendido deveria ter entre 35 e 50 anos.

Trabalho há 22 anos com carreira e confesso que fico cada vez mais surpreso e inconformado com esses preconceitos. Dizer que alguém com mais de 50 anos não tem energia é uma generalização que não é verdadeira. A energia e a dedicação no trabalho não têm relação com a idade. Disposição e compromisso profissional têm a ver com características de personalidade e momento de vida.

Considerando que a maior parte das funções são baseadas em conhecimento e não em força física, não faz sentido definir limites de idade.

Apesar do aumento da longevidade, parece que alguns ainda usam uma lógica antiga em que as pessoas se aposentavam com 45 ou 50 anos e não tinham mais interesse em trabalhar. Pretendiam ficar de pijama em casa. Esse estereótipo foge da realidade da maioria das pessoas. A expectativa de vida vem aumentando há décadas e os profissionais querem e precisam continuar produzindo.

Para selecionar, promover ou demitir, precisamos analisar o indivíduo. Quando tratamos de carreira não dá para generalizar. Dizer que todo jovem é ansioso e quer ser diretor com dois anos de experiência também não é correto. Alguns jovens são conservadores e apáticos. Torcem para ter poucos desafios. Outros querem uma carreira com velocidade supersônica.

Criar grupos, estereótipos e classificações genéricas pode até reduzir a angústia de lidar com a complexidade de cada indivíduo. É mais fácil rotular e simplificar do que gastar tempo com as pessoas.

No entanto, o risco de perder bons profissionais e tomar decisões de baixa qualidade aumenta muito. Quando tratamos de indivíduos e rejeitamos regras obsoletas, podemos descobrir jovens de 55 anos com muita disposição e capacidade de contribuir.

Iremos descobrir talentos que hoje podem estar fora do nosso míope radar quando estivermos dispostos a nos livrar de antigos conceitos.

 

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