A importância do legado


Nos períodos de recessão, a necessidade de recolocação faz com que muitos profissionais sejam obrigados a aceitar posições inferiores. E, assim que a economia melhora, a decisão de trocar de emprego tem um impacto, mas com um preço a pagar. Veja a reflexão de Rafael Souto sobre o assunto no artigo que fez para a nova edição da Você S/A.

Nossa oscilante economia nos ensinou a sermos malabaristas na gestão das nossas vidas.

Entre crises e períodos de crescimento seguimos sobrevivendo. Olhando rapidamente para o passado, em poucos anos, enfrentamos tormentas de desemprego e períodos de exuberância econômica com intensa oferta de trabalho.

A habilidade de lidar com essas oscilações transformou o profissional brasileiro num guerreiro global. Fato é que várias empresas ao redor do mundo reconhecem nossa capacidade de adaptação e improviso. Não à toa, os muitos anos de experiência lidando com o caos, gera musculatura e repertório para gerenciar essas mudanças.

No entanto, esse caldo de instabilidade gera alguns efeitos nocivos na condução da carreira. Nos períodos de crise, a necessidade de recolocação faz com que muitos profissionais sejam obrigados a aceitar posições inferiores. A redução de salários gera desconforto e impacta na decisão de troca de trabalho assim que a economia melhora.

Por outro lado, os períodos de crescimento intenso mostram um déficit de pessoas qualificadas e obriga com que as empresas contratem com muita voracidade, gerando ofertas irresistíveis e movimentos de carreira impensados.

Foi esse movimento que aconteceu em 2012, quando a economia se recuperou da crise global entre 2008 e 2009 e causou expansão em oportunidades de trabalho jamais vista.

Chegamos a crescer 7,5% e isso gerou um exército de profissionais que ficavam especulando oportunidades e trocando de trabalho a cada seis meses.

Nesse pêndulo dramático de crises e crescimento, não podemos esquecer da construção dos ciclos consistentes na carreira. Um profissional é avaliado pela história que constrói. Os resultados que deixa nas empresas que passou. O legado que vai se formando é o ativo de carreira que forma a marca profissional.

As trocas frenéticas de emprego movidas pelas oportunidades que surgem podem transformar a carreira numa lista de trabalhos sem conclusão.

O mercado é cruel e não deixará de avaliar de forma negativa o currículo sem consistência. A regra dos ciclos consistentes vale para todos, do estagiário ao presidente. É necessário ter projetos com início e conclusão para formar uma carreira de valor.

Se você ficar sempre pensando no próximo emprego, se tornará um especialista em explicar porque trocou de trabalho ao invés de mostrar as suas realizações.

Esta escolha pode surgir amanhã, mas antes de mudar, reflita sobre seu legado e o ciclo que está na empresa. Investigue a cultura e o novo projeto com profundidade. Boas explicações sobre trocas de emprego não sustentam uma carreira, mas sim o trabalho que foi construído em cada empresa.

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