Entre a oferta e a demanda


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Matéria com entrevista de Rafael Souto publicada na edição de junho da Revista Melhor Gestão de Pessoas:

Enquanto algumas empresas demitem, outras buscam reaproveitar os talentos descartados

Por Gumae Carvalho

Uma relação desigual. O atual cenário econômico brasileiro tem aumentado o número de profissionais em busca de uma nova oportunidade de trabalho, em um mercado com uma demanda menor em muitos setores. Divulgado em abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desemprego revela que 10,2% dos trabalhadores estão fora do mercado (ou 10,4 milhões de brasileiros), refletindo o desequilíbrio entre a (grande) oferta e a demanda (pouca) de mão de obra. Setores como a construção civil, por exemplo, amargam números de retração econômica e aumento de demissões. No entanto, há setores nos quais a crise passa ao largo e, ao contrário dos demais, estão em busca de talentos.

Um deles, segundo o diretor da Korn Ferry Futurestep, Gustavo Parise, é o do agronegócio. “Além disso, há um bom número de contratações em curso que não estão atreladas a um bom momento de determinado setor, mas a certos movimentos como a consolidação ou a profissionalização de setores como saúde e varejo, para citar alguns”, diz Parise ao se referir a algumas posições que vêm se mantendo em alta nas contratações.

Na lista de setores e áreas aquecidas, Rafael Souto, CEO da Produtive, acrescenta, além das organizações do agronegócio, as indústrias exportadoras e as empresas de médio porte. Estas estão aproveitando o cenário de crise para melhorar o grupo de gestão, uma vez que existem muitas pessoas qualificadas disponíveis, explica, alinhando-se com a observação de Parise.

O CEO da Produtive conta, ainda, que tanto as empresas que se baseiam em exportação quanto as médias que estão aproveitando o cenário de crise para contratar pessoas qualificadas não estão abrindo vagas novas: estão realizando substituições para melhorar o resultado e conseguir navegar melhor em períodos de turbulência.

Mas não há como negar que o mercado todo encolheu, como reforça José Augusto Minarelli, diretor-presidente da Lens & Minarelli. E, com isso, quase todos os setores da economia têm freado suas atividades, particularmente o industrial. Entretanto, Minarelli também reforça que, em termos de atividade ocupacional, algumas áreas estão em busca de pessoas. “Finanças, marketing/vendas, compliance, tecnologia, riscos e inovação têm apresentado maior demanda. Na crise, é preciso vender, cuidar bem do dinheiro, utilizar mais tecnologia para suprir a falta de recursos, aumentar a produtividade, descobrir novos produtos ou serviços e cultivar relacionamentos internos e externos, afinal tudo depende de pessoas”, observa Minarelli.

BOLHA SALARIAL

De forma geral, nas novas contratações vem sendo percebida uma redução na remuneração e no pacote de benefícios oferecidos. Souto estima que a média de redução salarial esteja por volta de 20% – algo, para ele, necessário. “Havia uma bolha salarial em curso. Os salários do Brasil estavam irreais. As empresas estavam pressionadas e comprimindo as margens”, lembra. “É preciso considerar a pressão anual das companhias em relação ao dissídio para aumentar salários, sendo que elas não são conseguem repassar isso para o preço dos produtos; por consequência, as margens caíram muito. O Brasil ficou muito caro antes de ficar rico”, diz.

A questão de redução salarial tem outro enfoque para Minarelli. Ele explica que boa parte das contratações de executivos, hoje, ocorre por substituição de profissionais por outros de melhor perfil, atitude ou performance. “Nesse caso, a questão salarial não é o motivo da contratação e nem sempre ocorre redução de salários, até porque, pelo motivo mencionado, as pessoas contratadas para substituir outras estão trabalhando, e para deixarem seus empregos elas precisam receber uma proposta atraente. Em alguns casos, há até alguma melhora [na remuneração]”, explica.

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TALENTOS INTERNOS

Para tentar passar pelos momentos turbulentos, muitas empresas, em vez de tentar buscar alguém no mercado, acabam apostando nos talentos internos, dando-lhes responsabilidades interinas de liderança. “Tal iniciativa dá chance ao profissional de desenvolver suas habilidades e flexibilidade para a empresa avaliar o desempenho do colaborador atuando na função”, diz Parise. Ou, então, tais companhias vão ao mercado em busca de interim managers.

A ideia de buscar um profissional para uma atividade específica, por um período de tempo delimitado (como, por exemplo, para levar adiante um projeto), tem estado presente nas discussões de muitas empresas. Conhecidos como interim managers ou gerentes temporários, esses profissionais representam uma alternativa bem-vinda, na opinião de Souto. A questão, diz o CEO da Produtive, é que ainda existem restrições trabalhistas para contratar esse tipo de profissional: “As empresas maiores, principalmente, têm receio devido aos impactos trabalhistas. Ou seja, existe potencial, mas ainda há muitas dúvidas nas questões trabalhistas”, avalia.

[…]

NOVAS FORMAS DE TRABALHO

E qual o impacto da crise nas empresas que lidam com recolocação profissional? Estariam elas “vendendo lenços”? Por ser uma empresa de transição de carreira, no atual cenário, os negócios da Produtive aumentaram – o volume de pessoas que entraram em contato em busca de uma nova oportunidade profissional cresceu 20%, segundo Souto. “A estratégia que temos utilizado para conseguir recolocar pessoas é pensar diferente, buscado empresas menores, pensando outras estratégias e setores econômicos que possam estar contratando para conseguir recolocá-las”, diz.

Parise, da Korn Ferry Futurestep, acredita que o momento é capaz de oferecer oportunidades de diferenciação frente aos competidores. Para tanto, estar junto aos clientes é fundamental: “Deve-se estar muito perto deles, reforçando a qualidade do serviço, não apenas de atendimento, mas também na geração de valor para os negócios por meio de soluções que ajudem a atingir suas estratégias”, explica o executivo, que estima uma média de crescimento de 30% no número de profissionais que procuraram a sua empresa em busca de uma nova oportunidade nos últimos meses.

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