Efeito Lúcifer S/A


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Artigo de Rafael Souto publicado na edição de 9 de dezembro do jornal Zero Hora:

O psicólogo norte-americano Philip Zimbardo estudou o comportamento humano para entender por que, em determinadas situações, algumas pessoas consideradas boas são capazes de cometer as mais diversas atrocidades. Zimbardo conduziu o famoso estudo da penitenciária imaginária de Palo Alto, na Califórnia. Esse ensaio mostrou que indivíduos comuns, quando colocados na posição de carcereiros, faziam maldades com os presos, mesmo sabendo que eles eram pessoas como eles e que estavam num estudo. Essa tendência de uma pessoa produzir o “mal” quando lhe é conferido poder foi chamada de “efeito Lúcifer”, revelando que o poder e a pressão transformam as pessoas.
Quando analiso o cenário de negócios em que nossos líderes estão mergulhados, vejo que estamos numa fábrica de “Lúcifers”. As empresas estão cada vez mais pressionadas para obterem resultados num ambiente global de alta competição.

Se analisarmos a realidade do Brasil, temos nossas mazelas internas conhecidas e não resolvidas: um sistema engessado com custos elevados, salários indexados por dissídios coletivos incompatíveis com os custos, regime tributário pesado, leis trabalhistas ultrapassadas e problemas estruturais graves de logística, apenas para citar alguns.

Adiciono a todos esses fatores, acionistas e conselhos de administração preocupados com o longo prazo no discurso, porque a cada reunião analisam o curto prazo com uma ferocidade capaz de eliminar o mais genial executivo que não cumpre as metas do trimestre.

Considerando o risco da ascensão ao poder para desencadear o efeito Lúcifer, acrescido de doses fortes de pressão e intensa dificuldade para produzir resultados, temos a fórmula mágica para produzir líderes agressivos, com agenda pessoal acima da organização e com alto poder de destruição emocional de suas equipes.

Não vejo um futuro promissor para o desenvolvimento de líderes se não mudarmos a formatação e o cenário no qual eles estão inseridos.

Essa mudança precisa vir do topo. Uma cúpula feroz não produzirá lideranças agregadoras. A tríade parece armada: acionistas endiabrados, conselheiros diabólicos e o próprio Lúcifer como CEO.

Se as organizações seguirem nesse caminho, estarão rapidamente se especializando num novo negócio: sanatórios para executivos.

Rafael Souto é sócio-fundador e CEO da Produtive Carreira e Conexões com o Mercado

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