A pós-graduação certa para alavancar sua carreira


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Matéria com entrevista de Rafael Souto publicada na Revista Época. Jefferson Fernandes, personagem da matéria, é ex-assessorado da Produtive:

NATÁLIA SPINACÉ

13/06/2016 – 08h00

Anos de crise são um bom momento para investir em educação. Com o mercado de trabalho estagnado, quem tem mais qualificação ganha vantagem na disputa pelas poucas vagas disponíveis. Mas é preciso ter cuidado antes de fazer a matrícula num curso de pós-graduação. Sem uma avaliação criteriosa tanto da própria carreira como do curso que se pretende fazer, o investimento – de tempo e dinheiro – pode não valer a pena.

Para escolher a pós-graduação ideal, o primeiro passo é avaliar detalhadamente a própria carreira e aonde quer chegar. “No geral, existem dois caminhos que um profissional pode seguir”, diz Rafael Souto, CEO da consultoria de carreira Produtive. “Especializar-se na própria área ou buscar uma visão generalista.” No primeiro caso, estão os profissionais que optam pela excelência dentro da área que atuam. O segundo caso são as pessoas que possuem uma especialidade e precisam desenvolver uma visão geral do negócio ou de algum tema que complemente seu conhecimento. Isso ocorre com engenheiros que chegam ao cargo de gestor, por exemplo. Os que fazem parte do segundo grupo são conhecidos como os profissionais com perfil em “T”. Eles desenvolvem uma base “vertical” de conhecimento sólido e especializado em uma área. Com essa base construída, forma-se a linha “horizontal”de conhecimentos gerais sobre todas as áreas de um negócio. “A base de especialização em uma área é fundamental”, diz Rafael. “Há tempos o mercado não valoriza o profissional que sabe de tudo um pouco, mas não sabe muito de nada.” O primeiro passo na hora de escolher a pós-graduação é ter uma visão clara sobre em qual dessas etapas o profissional está: se ainda é hora de se especializar ou se já é tempo de adquirir conhecimentos gerais.

O turismólogo Jefferson Fernandes, de 34 anos, soube avaliar bem a própria carreira e aonde queria chegar quando optou por fazer o Executive MBA na Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte. “Eu estava para assumir o cargo de diretor executivo dentro de minha área e precisava de um curso que me desse essa noção mais aprofundada de gestão”, diz. Quando começou o MBA, no ano passado, Jefferson ocupava o cargo de gerente regional na Embratec, empresa onde está há cinco anos. Não foi a primeira vez que o turismólogo usou cursos de pós-graduação para alavancar sua vida profissional. Em seu currículo constam mais duas especializações feitas anteriormente: uma em gestão empresarial e outra em marketing. “Sempre procurei pensar em como aquele curso me ajudaria na prática e de que modo ele traria algum avanço para minha carreira”, diz.

Etapa fundamental antes da matrícula é entender o que falta complementar: o lado técnico
ou o de gestão

Depois de uma autoanálise da vida profissional, o segundo passo para a escolha da pós-graduação ideal é definir qual tipo de curso trará ao profissional o que ele busca. “Os mestrados e doutorados são mais valorizados no meio acadêmico e de pesquisa”, diz Carolina Linhares, presidente do Instituto Brasileiro de Carreira. “Já os MBAs chamam a atenção das empresas, desde que façam sentido na carreira.” O MBA clássico tem como objetivo desenvolver em seus participantes uma visão abrangente sobre negócios e gestão e é indicado para quem tem experiência profissional ou já ocupa um cargo de gestão. Para quem busca aprofundar-se em um assunto ou desenvolver uma habilidade específica, as especializações são mais recomendadas. Outra opção para esse segundo grupo é o mestrado profissional. Ele costuma ser mais próximo do mercado de trabalho do que os mestrados acadêmicos e mais aprofundado em teoria do que um curso de especialização comum.

Não basta apenas escolher o curso certo. É preciso ter atenção na hora de definir a instituição na qual se matricular. Se o objetivo é fazer uma especialização em finanças, por exemplo, o ideal é procurar a faculdade mais reconhecida nessa área. “Se a certificação em finanças vier de uma instituição muito renomada em cursos de outra área, ela não terá o mesmo peso”, diz Rafael. Para não errar, vale fazer uma lista com todas as faculdades que oferecem o curso desejado e conversar com pessoas experientes na área que possam nortear qual delas é a mais reconhecida. Existem alguns critérios que ajudam a avaliar a qualidade e a seriedade de um curso de pós-graduação. Fique atento ao corpo docente. Além dos títulos de mestrado e doutorado, é interessante que os professores tenham experiência prática no mercado de trabalho. Boas escolas costumam ter uma carga horária que vai além da exigida pelo Ministério de Educação, de 360 horas. Para os MBAs, os rankings internacionais, como o divulgado pelo jornal britânico Financial Times anualmente, são bons indicadores de excelência. Os colegas de classe também importam. Boas faculdades fazem um processo seletivo rigoroso para atrair apenas estudantes com bom currículo e possibilitar a troca de experiências dentro do curso.

Para os que sonham em fazer uma pós-graduação fora do Brasil, também há a possibilidade de bolsa. Fundações e institutos privados, como a Fundação Estudar e a Fundação Lemann, concedem bolsas parciais tanto para cursos acadêmicos como para MBAs. Para conseguir a bolsa, os candidatos passam por um processo seletivo rigoroso, que inclui provas escritas e entrevistas. “Nós analisamos o que o candidato, dentro de sua realidade socioeconômica, conseguiu conquistar até aquele momento”, diz Tiago Mitraud, diretor executivo da Fundação Estudar. “A preferência é para os que possuem conquistas acima da média.”

Um problema comum que afeta a qualidade de aprendizagem dos alunos de pós-graduação é a falta de tempo para estudar. Não adianta pagar a pós mais cara e reconhecida do mercado e não se dedicar aos estudos. “Os estudantes muitas vezes são negligentes com o próprio interesse”, diz Marco Túlio Zanini, professor de gestão estratégica de pessoas da Fundação Getulio Vargas. “Se não há clareza sobre a importância de levar os estudos a sério, é melhor nem começar.” O que se espera de um aluno de pós-graduação é que ele tenha uma atitude ativa e interessada, de querer aprender e aplicar seus conhecimentos na prática. Para isso, é preciso organizar a vida pessoal e profissional. É essencial estabelecer qual horário será dedicado aos estudos e conversar com o chefe para garantir que estará livre no horário das aulas. O sucesso da escolha de uma pós-graduação depende não só da instituição e de seus professores, mas também do empenho do aluno.

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