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Novas opções de trabalho

Para o app da revista Você S/A, Rafael Souto discorre sobre como o mercado enxerga a transição de carreira e quando esse movimento não é indicado.


Engenheiros que vão para vendas, médicos que viram gestores, administradores no setor de educação. Por que o mercado está valorizando as novas movimentações profissionais

Por Marcia Kedouk

A paulistana Danielle Brants, de 32 anos, é formada em administração, mas fez carreira no mercado financeiro. Começou como analista de investimento no banco Morgan Stanley e chegou ao cargo de diretora associada de fusões e aquisições para a América Latina da General Electric (GE). Hoje, é CEO da própria empresa, na área de educação e tecnologia, a Guten, uma plataforma de notícias que estimula a leitura e a compreensão de textos entre alunos do 4° ao 9° ano do Ensino Fundamental. Para Danielle, vocação é mais importante do que diploma de graduação. “Mas não basta seguir os instintos. É preciso estudar muito, mesmo que por conta própria, para entender as novas funções”, afirma.

Movimentações profissionais como a dela têm sido mais comuns. Engenheiros migram para vendas, economistas vão para recursos humanos, médicos assumem a administração do hospital. “É uma tendência haver um descolamento entre a formação acadêmica e as atividades em que a pessoa se desenvolve depois de graduada”, diz Rafael Souto, sócio fundador e presidente da consultoria Produtive.

O motivo mais evidente é que a escolha da profissão acontece muito cedo, por volta de 17 anos, e pode mudar tempos depois. “Atualmente, as companhias absorvem essa transição com facilidade, salvo em áreas muito técnicas, que exigem conhecimento específico e habilitação no conselho que regulamenta a atividade”, afirma Souto. “Há cada vez menos planos de carreira estáticos. O que existe são estruturas e cargos em que os funcionários navegam conforme as oportunidades aparecem.

O que tem impulsionado essas novas experiências não é apenas uma vontade interna. Existe, agora, uma necessidade de mercado. “Vivemos um momento em que os profissionais começam a ter de se diferenciar pelo repertório que trazem”, diz José Augusto Figueiredo, engenheiro que há 18 anos decidiu se graduar em psicologia e atualmente é presidente para o Brasil e vice-presidente executivo para a América Latina da consultoria de recolocação profissional Lee Hecht Harrison (LHH). “Você será melhor se absorver o conhecimento de outra área que pode influenciar no seu jeito de ver a vida e lidar com as pessoas”, afirma José Augusto.

Segundo ele, as competências mais importantes não estão ligadas ao conhecimento técnico, mas, sim, a habilidades comportamentais, como a capacidade de construir relações, trabalhar em equipe e lidar com conflitos e pressão. “O mercado financeiro me ensinou a ser resiliente e a ter disciplina e capacidade analítica, que fazem uma diferença enorme na minha atuação hoje”, diz Danielle, da Guten.

O perfil T

Não significa que o domínio da atividade não seja valorizado. “As companhias exigem profissionais hiperespecializados, com foco bem determinado e solidez nas atividades que fazem, mas capazes de desenvolver uma visão global”, diz Rafael Souto, da Produtive, definindo o que ele chama de profissional T. “Imagine a letra T. A linha vertical é a área de atuação em que você é bom. A horizontal é o seu desenvolvimento holístico, seu entendimento do todo, que funciona como um complemento.”

TRÊS PASSOS PARA A MUDANÇA

As oportunidades estão aí. Saiba como aproveitá-las.

1- Autoconhecimento. Antes de buscar ou aceitar uma transição, dentro ou fora da sua área de atuação, é importante saber se a sua vontade de mudar tem a ver com seus objetivos de vida ou é apenas frustração com o atual emprego. Às vezes, as pessoas estão apenas em busca de se livrar de um culpado – o chefe, a empresa – e encontram os mesmos problemas na nova atuação.

2- Disposição para aprender.É preciso estar à vontade com a ideia de voltar várias casas no jogo. “São no mínimo dois anos para consolidar uma carreira em uma nova posição para então começar a ter crescimento e ser reconhecido”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

3- Momento de vida. Antes dos 30 anos, é bem-vindo testar várias possibilidades. Depois, vale estudar a movimentação com mais critério, porque múltiplas experiências têm impactos maiores na vida profissional e pessoal. O economista Pedro Ivo Rodrigues de Campos, de 28 anos, consultor de novos negócios da operadora de planos de saúde Notre Dame- Intermédica, trabalhou no departamento de marketing do Corinthians logo depois de se formar. Ele tinha 22 anos na época e achava que se desenvolveria no ramo de esportes. “Aquele era o meu momento de experimentar”, diz. Três anos e meio depois, voltou para o mercado financeiro e acabou desenvolvendo outro olhar para suas tarefas diárias. “Percebi que existem dezenas de possibilidades dentro de uma mesma área que demandam habilidades diferentes. E a que estou hoje me traz muita satisfação”, afirma. “Agora, eu dificilmente assumiria o risco de migrar para outro setor, porque tenho mais responsabilidades, como o casamento, a quitação do apartamento. Chega um momento em que, para fazer uma movimentação de carreira, você precisa levar em conta bem mais do que o simples desejo de mudar.”

Superação na era digital

Em artigo, o fundador e CEO da Produtive, Rafael Souto, discorre sobre as estratégias para o profissional lidar com as mudanças do trabalho na era digital na edição de agosto da revista Você S/A.

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Falar sobre as tendências do mundo do trabalho virou uma repetição de teorias apocalípticas. Somos inundados por pesquisas que mostram as mudanças no emprego, extinção de funções e uma miscelânea de robotização e automação do trabalho.

De fato, vivemos períodos de profundas mudanças na sociedade. As transformações na economia atingiram em cheio as empresas. Os modelos tradicionais de negócios foram sacudidos por companhias ágeis e disruptivas. O emprego seguro acabou e a ideia de plano de carreira numa empresa também foi eliminada.

Estamos vivendo mais tempo e queremos continuar produtivos. Ao mesmo tempo, ainda temos empresas que seguem com o preconceito de contratar pessoas com mais de 50 anos. Todas essas angústias assolam a mente dos profissionais, independentemente da idade.

Diante de tudo isso, precisamos elaborar estratégias para enfrentar e lidar com esses tsunamis de mudanças. A principal delas é fazer a leitura das tendências da área em que atua. A maior parte dos campos de trabalho não se extingue, apenas se transforma.

Temos vários exemplos para ilustrar essa saga, como os profissionais que atuavam na área de suprimentos e souberam se adaptar à nova área de logística e hoje têm grande valor de mercado. Vemos ainda os contadores que se tornaram mais estratégicos e migraram para o departamento de controladoria. Ou ainda jornalistas que fizeram a caminhada para o mundo digital. Todos esses profissionais se abriram a novas perspectivas de carreira e sua atividade não vai desaparecer.

Essa transformação afeta todas as áreas e profissões e, para sobreviver, duas competências são essenciais. A primeira é a curiosidade. A exploração ativa e a abertura ao novo são indispensáveis para se ajustar à nova realidade, fazer a leitura de cenários, buscar e adquirir novos conhecimentos.

Já a segunda está relacionada ao networking. Construir e cultivar uma rede de contatos é fundamental para buscar informações sobre tendências e definir os caminhos a serem seguidos. A conectividade com as pessoas deve ser entendida como um pilar da carreira e praticada constantemente, independentemente do momento profissional.

Nesse mundo de mudanças cada vez mais velozes, abrir-se às mudanças buscar o aprendizado aumenta a competitividade e funciona como um antídoto contra a obsolescência.

Condenados sem apelação

Na edição de março da revista Você S/A, Rafael Souto, CEO da Produtive, discorre sobre o cuidado que o profissional precisa ter em sua carreira a fim de evitar uma imagem manchada no mercado.

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A reputação compreende o grau de confiança que o mercado deposita numa pessoa. Ela está intimamente ligada à imagem da organização para a qual o profissional trabalha ou já prestou serviços. O ponto de atenção é o quanto a percepção do mercado sobre uma empresa se transfere para a imagem do profissional.

Em tempos de Lava-Jato, o risco de contaminação de uma carreira pela transferência de reputação da empresa é enorme. O mercado é muito mais cruel do que a justiça.

No sistema judiciário, um inocente dificilmente é condenado. Temos um amontoado de instâncias e recursos que permitem aprofundar a responsabilidade de cada pessoa na gestão de uma empresa. Já no mercado de trabalho a condenação é cruel e silenciosa. Ao menor sinal de fumaça, uma carreira pode ser joagada na lata do lixo.

Um profissional que atua numa companhia com imagem comprometida por escândalos de grande notoriedade ou percebida como não confiável está condenado. Não é chamado para entrevistas, não recebe retorno e nem saberá o porquê. Essa mácula silenciosa ocorre todos os dias nas empresas de recrutamento, na área de gestão de pessoas e na mesa de decisão sobre contratações.

O mais dramático é a generalização – concluir que todos os funcionários de uma empresa valem menos porque a alta gestão cometeu práticas ilegais. Mas não adianta achar injusto. Uma regra básica de contratação é minimizar os riscos. Na dúvida, as empresas não contratam.

O efeito colateral é o impacto na carreira dos profissionais que lá trabalham e ficam expostos a esse profundo desgaste de imagem. São rotulados pelos erros da empresa sem aprofundar sua real responsabilidade.

Por isso, uma das questões mais relevantes para se decidir trabalhar numa organização é medir esse risco. Não adianta estar num ótimo projeto se a empresa estiver no penhasco da falta de credibilidade.

Cabe a cada profissional avaliar profundamente uma empresa antes de aceitar uma proposta de trabalho. Essa análise não é simples porque o processo seletivo funciona como um jogo de sedução. A organização costuma enfeitar a oportunidade e vender sua proposta como a chance da vida do profissional. Por isso, é preciso analisar a reputação da empresa no mercado, a percepção de ex-executivos e conversar com pessoas que conheçam o setor no qual a empresa atua. Ainda assim, o risco é alto.

Se mesmo com todos esses cuidados você descobrir algo grave sobre sua empresa e não tiver como alterar o rumo dos negócios, o melhor é buscar outro trabalho para não acabar condenado pela irresponsabilidade de outras pessoas.

 

Só os curiosos vencerão

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Artigo de Rafael Souto publicado na edição de dezembro/2016 da Você S/A:

Atualmente, é preciso explorar opções de crescimento alternativas à promoção tradicional

O norte-americano Mark Savickas desenvolveu os conceitos do que chamamos de “adaptabilidade de carreira”. Savickas é uma das maiores autoridades mundiais em aconselhamento profissional. A construção sobre adaptabilidade é um importante marco nas reflexões sobre gestão de carreiras. O conceito darwiniano trazido para o mundo dos negócios trata da prontidão das pessoas para adaptar-se às mudanças com menos dificuldade e, portanto, sobreviverem nesse mundo em transformação.

A essência da adaptabilidade de carreira está no protagonismo que o indivíduo deve ter sobre sua vida profissional. Pessoas com baixo controle sobre seu futuro tendem a ter mais dificuldade de adaptar-se. São profissionais que só vivem o hoje. Tomam decisões sem medir o impacto no futuro e esperam que as empresas o carreguem. Delegam sua carreira ao mundo. Ao contrário, aqueles que possuem maior gestão sobre seus rumos profissionais tendem a fazer escolhas com maior êxito.

Entre as competências desenvolvidas por Savikas sobre a adaptabilidade de carreira destaco a “curiosidade”. A ideia defendida nesse conceito é a capacidade de exploração ativa.

As empresas vêm reduzindo suas estruturas num ambiente de negócios altamente competitivo. O número de níveis hierárquicos caiu drasticamente nos últimos anos. Buscando eficiência e eliminação de custos, as empresas cortaram cargos e ajustaram sua arquitetura organizacional.

Isso nos traz duas conclusões. A primeira é que as possibilidades de crescimento linear são mais escassas. Não existem tantos cargos e movimentos ascendentes como houve no passado.

A segunda conclusão é de que o profissional precisará fazer mais movimentos laterais e buscar crescimento que não seja apenas a promoção tradicional de cargo. Isso exige exploração ativa. É a competência da curiosidade. Na prática, significa pesquisar alternativas na empresa, questionar possibilidades e estar aberto a novas experiências.

Nesse cenário, a busca pelo diálogo de carreira entre líder e sua equipe será fundamental. As conversas buscando entender os desejos e ambições do profissional e a conexão com o projeto empresarial serão cada vez mais necessárias. E nesse momento, a competência da exploração ativa é essencial. Investigar alternativas, discutir possibilidades de carreira e navegar nesse mundo menos estruturado são desafios para todos os profissionais do século XXI.

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Estratégia do oceano azul

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Artigo de Rafael Souto publicado na edição de setembro da Revista Você S/A:

Entenda o método dos profissionais que sempre mantêm sua empregabilidade e que conseguem fazer escolhas profissionais, mesmo em períodos de turbulência econômica

Em 2005, os pesquisadores W. Chan Kim e Renée Mauborgne desenvolveram uma teoria que gerou um grande impacto no mundo dos negócios. Em linhas gerais, a ideia é a construção de novos mercados. Mais do que diferenciação, estar em oceano azul é desenvolver mercados inexplorados, tornando a concorrência irrelevante.

Nos meus 20 anos trabalhando com aconselhamento de carreira, venho estudando o que torna os profissionais únicos. O crescimento profissional é composto por um conjunto de fatores que envolvem questões comportamentais e técnicas. A própria definição de sucesso é subjetiva. Nesse emaranhado de elementos, fica difícil definir com precisão os fatores de sucesso. Meu trabalho tem sido mapear características presentes nos profissionais que relatam maior grau de satisfação com seu desenvolvimento e que, de certa forma, são imunes à crise. Possuem alto grau de empregabilidade e conseguem fazer escolhas profissionais, mesmo em períodos de turbulência econômica.

Neste artigo, escolhi descrever dois aspectos presentes nos profissionais que navegam em oceano azul.

A primeira chamo de “conectividade”. É uma espécie de networking avançando. Os profissionais bem-sucedidos desenvolvem redes de relacionamento que são cultivadas e expandidas ao longo da carreira. A conectividade é a capacidade de gerar valor para outras pessoas e manter relacionamentos ativos a longo do tempo. É diferente do antigo networking, que servia mais como uma forma de se relacionar quando um profissional precisava de algo, principalmente emprego. Estar conectado é agir genuinamente para ajudar os outros e solicitar apoio ao longo da carreira. É dedicar tempo para conversar e estar próximo das pessoas que compõem esse ecossistema de contatos construídos ao longo do tempo.

A segunda característica dos profissionais diferenciados é um traço marcante de empreendedorismo. Não me refiro ao clássico ato de empreender e abrir um negócio. Mas sim a forma de agir e pensar na organização. Alguns chamam de “intraempreendedorismo”. De maneira mais clara é a “cabeça de dono”. São profissionais que entendem o negócio e trabalham na construção de resultados para a empresa. Não pensam em emprego, e sim no projeto de trabalho. Buscam crescimento pessoal, mas sabem que isso só acontecerá se a organização estiver saudável. Usam seu dia a dia para superar obstáculos. Substituem a agenda “mi-mi-mi”, típica das crises, por um conjunto de atitudes positivas para resolver problemas.

Conectados e pensando como donos, constroem um jeito diferente de trabalhar e deixam de lado o oceano vermelho do emprego tradicional.

RAFAEL SOUTO é fundador e CEO da consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria

As oportunidades de 2016 – VOCÊ S/A

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Artigo de Rafael Souto publicado na edição de abril da Você S/A:

Enquanto as grandes empresas cortam, as pequenas e médias aproveitam profissionais altamente qualificados e disponíveis no mercado

Rafael Souto é fundador e CEO da consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e para aposentadoria

rafael.souto@produtive.com.br

O ano de 2015 foi para entrar e medir o tamanho do buraco que a economia brasileira se enterrou. E não foi raso. Mais de 3% de queda no PIB num cenário típico de tempestade. Mas o desemprego crescente talvez seja nosso maior problema. O elevado índice de desocupação é o drama central das sociedades modernas. Aniquila a confiança, destrói famílias e gera uma tensão social perigosa. Não vou pintar um quadro otimista, porque me faltarão dados para pincelar. Poucas notícias boas, num mar de desconfiança sobre o futuro.

Porém, nesse início de ano, observei mudanças importantes no fluxo de contratações. As empresas começaram a entender o cenário grave que estamos e a paralisia que atormentou a todos parece estar pendendo força. Os tomadores de decisão compreenderam que não adianta só cortar. É preciso fazer algo diferente, e isso pode significar mudar pessoas. É como se o susto e a frustração com o diagnóstico tivessem sido assimilados. Agora temos de lidar com o problema. Entramos numa nova etapa: a definição do que fazer para obter resultados nesse contexto econômico. Em uma análise das 663 posições pesquisadas pelo meu grupo nos dois primeiros meses deste ano, notamos que apenas 5% são de vagas novas. A imensa maioria é de substituição – ou seja, estamos mudando pessoas para tentar mudar os resultados.

A crise expõe as fragilidades mascaradas nas épocas de ganhos mais fáceis. Na maré baixa, as pedras aparecem e os mais competentes se destacam. Essa é a chave de 2016. Enquanto as multinacionais estão mexendo no orçamento e reduzindo com força, observo empresas pequenas e médias aproveitando profissionais altamente qualificados e disponíveis. Hoje, elas podem escolher pessoas que até pouco tempo não conseguiriam sequem atrair.

Há alguns anos vivíamos o “apagão de talentos”. A tônica era reclamar da falta de gente para preencher vagas. Agora estamos com excelentes profissionais disponíveis. Contratar pessoas qualificadas é a estratégia para conseguir extrair resultados numa economia cambaleante. É certo que teremos que conviver com ciclos de recolocação mais longos e lidar com redução de salários. Somos um país com 200 milhões de habitantes e com muito por fazer.

OPORTUNIDADES 2016

O queridinho da turma

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Matéria com participação de Rafael Souto publicada na edição de abril da Você S/A:

Sabe aquele profissional bacana e admirado por todos? Em cenários econômicos cada vez mais desanimadores, são eles – os carismáticos – que se destacam. Dá para adotar essa atitude no trabalho, mas é preciso tomar cuidado para não forçar a barra

POR LUCIANA LIMA

Há anos pesquisas e consultores de carreira apontam o carisma como uma habilidade importante para o desempenho profissional de alguém. Segundo Rohit Bhargava, professor da Georgetown University, em Washington, nos Estados Unidos, e ex-vice presidente da Ogilvy, pessoas carismáticas têm mais chances de ser bem-sucedidas nos negócios. No seu livro intitulado Likeonomics: The Unexpected Truth Behind Earning Trust Influencig Behavior, and Inspiring Action (Likeonomics: A Inesperada Verdade por Trás de Conquistar Confiança, Influenciar o Comportamento e Inspirar a Ação, em tradução livre, sem edição em português), lançado em 2012, ele defende que o carisma é um tipo de inteligência emocional que envolve a capacidade de ler corretamente as pessoas e se relacionar com elas.

Essa habilidade é o que diferencia, principalmente, os profissionais que almejam posições de liderança. “Hoje em dia, um grande número de pessoas fala duas línguas, tem uma boa formação e o mesmo nível técnico. Entretanto, nem todos possuem a habilidade de se conectar e influenciar colegas, o que também gera valor para as empresas”, afirma Rodrigo Fonseca, presidente da sociedade brasileira de inteligência emocional (SBie), de São Paulo. “O carisma e a capacidade de motivar as pessoas é o que faz os líderes se tornarem inspiradores e entregarem resultados, mesmo em momentos de crise.”

E no atual momento de recessão e dificuldades econômicas, em que muitas empresas estão passando por reestruturações, e cortando custos, gerando ambientes de muita pressão, o carismático passa a ser mais valorizado. “Mesmo que o profissional não exerça um cargo de liderança, ele pode ter habilidade de envolver os colegas nos momentos difíceis, o que melhora o clima e pode trazer ganhos futuros de carreira”, diz Rafael Souto, presidente da Carreira, com sede em São Paulo.

Muito se engana, porém, quem acredita que essa característica seja algo totalmente natural, impossível de ser desenvolvida ao longo da vida. “Pequenas atitudes diárias podem tornar até mesmo as pessoas mais tímidas um pouco mais carismáticas. Respeitando os próprios limites e sem querer mudar radicalmente é possível adquirir essa competência”, diz Renata Di Nizio, fundadora da Casa da Comunicação, consultoria especializada em treinamento, de São Paulo.

Tome algumas doses de semancol

Ser uma pessoa sociável em nada tem a ver com se tornar uma pessoa indiscreta e inconveniente, que pergunta sobre a vida pessoa de todo mundo. Saber dosar o que e quando perguntar também é importante para não errar a mão. “É preciso realizar uma leitura do ambiente, ver de que forma elas reagem às suas perguntas e quão dispostas estão a interagir”, afirma Rodrigo Fonseca, da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.

Reconheça que precisa melhorar

Nem todo mundo possui a capacidade de ser simpático de forma espontânea. Reconhecer que precisa melhorar esse ponto é fundamental para fazer o movimento de mudança. “Procure se expor um pouco mais, falar em público, melhorar a comunicação com alguns treinamentos, se integrar em projetos pelos quais você tenha mais paixão e conhecimento, porque isso vai dar mais segurança na hora de mostrar suas ideias”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

Saiba o que faz você feliz

Raramente pessoas mal-humoradas são capazes de ser simpáticas e carismáticas. Mesmo nas rotinas mais estressantes, tente adotar pequenas atitudes que aumentem a sensação de bem-estar e a vontade de trabalhar. “Passamos 12 horas do nosso dia no escritório e saímos de casa já irritados. Busque entender o que anima, irrita e motiva você e dê valor para as coisas simples, como fazer exercícios físicos antes do trabalho ou tomar um bom café da manhã, por exemplo”, diz Marcos Gimenez, sócio da Innovative, consultoria de São Paulo.

Lembre-se da sua postura

Preste atenção à forma como você se mostra para os seus colegas. Pessoas cabisbaixas, de ombros caídos, raramente conseguem criar conexões e entusiasmar os colegas. “Você emana carisma quando as pessoas se inspiram em você. É importante criar uma postura de segurança, adquirir um tom de voz firme e seguro para melhorar a comunicação e transmitir mais confiança”, diz Rodrigo.

Inspire-se, sem copiar

Observe pessoas que você considera sociáveis e capte quais comportamentos elas adotam para se tornar assim. Essa inspiração pode vir de líderes ou até de colegas. Só que não tente se tornar uma cópia do outro. “Não crie um personagem com o qual você não se sinta confortável nem que tenha comportamentos que não conferem com a sua personalidade. As pessoas percebem que não é algo natural. Além de que isso não se sustenta por muito tempo”, afirma Rafael.

Sem excesso de confiança

Engana-se quem pensa que só pessoas introvertidas precisam melhorar o carisma e a capacidade de criar conexões. Geralmente, pessoas muito expansivas tendem a ser muito autoconfiantes e às vezes passam uma postura arrogante. “Elas também não se conectam com as pessoas porque não têm capacidade de ouvir. Sem contar que, muitas vezes, acreditam que são autossuficientes e esquecem que precisam dos outros também. Isso é tão destrutivo quanto ser introvertido demais”, diz Renata Di Nizio, da Casa de Comunicação.

Não fique parado – VOCÊ S/A

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Artigo de Rafael Souto publicado na edição especial da Você S/A – Organize suas Contas:

Rafael Souto é fundador e CEO da consultoria Produtive, de São Paulo, que atua em planejamento e gestão de carreira

A decisão sobre qual a melhor estratégia para investir em qualificação e aperfeiçoamento profissional é sempre complexa.

Em tempos de crise a criticidade aumenta. A definição sobre o que estudar, onde fazer o curso e o quanto investir fica mais complicada porque o dinheiro está mais escasso e a competição entre os profissionais também é maior.

Uma das perguntas que mais escuto de profissionais em transição de carreira é: mesmo na crise devo investir? Ou ainda: qual curso trará maior impacto na minha empregabilidade?

A resposta para a primeira questão é sim. Investir na carreira é necessário para manter a atratividade no mercado. Ninguém gosta de contratar pessoas que pararam no tempo. Manter a mente em constante aprendizado é uma ótima estratégia para se diferenciar. O desafio é escolher o que fazer. Esse tema deve ser parte de uma reflexão sobre estratégia de carreira. Investimento em educação precisa estar em sintonia com um projeto de vida. Não deve ser feito para embelezar o currículo. E sim, após uma reflexão do porquê essa atividade faz sentido. Isso vale para um curso de extensão ou para um doutorado. Fazer atividades de aperfeiçoamento sem uma estratégia é agir como uma empresa que toma decisões de curto prazo sem um planejamento mais amplo. Os riscos de a decisão estar errada aumentam muito.

Para ajudar na reflexão, recomendo dois caminhos:

1 – REFORÇO DA ÁREA-FOCO

Significa investir na área principal da atividade do profissional. Para um executivo de finanças, por exemplo, a área-foco é financeira. Tenho plena convicção de que o mercado de trabalho caminha com velocidade para a era da hiperespecialização. A competição acirrada que as empresas estão submetidas exige que elas contratem profissionais com profundo domínio de uma área. Os generalistas sem foco estão em extinção. Perdem para os especialistas em todas as áreas que podem dar palpites. A visão geral de negócios é fundamental para trabalhar em grupo e crescer numa organização. Mas a sustentação da carreira está nos sólidos conhecimentos numa área. Não há espaço para superficialidade. Profissionais sem área-foco definida levam em média 40% mais tempo para se recolocar. Nessa estratégia, o desafio é analisar quais conhecimentos estão sendo exigidos e quais as tendências de cada campo. Investir em formação na área pode significar boa vantagem. A escolha pode ser por um curso robusto de especialização, mestrado ou até mesmo doutorado. Mas os investimentos também podem ser em cursos e certificações mais rápidas que tragam conhecimento e modernidade na carreira.

2 – REFORÇO DA VISÃO GLOBAL

Essa estratégia é importante para profissionais que já têm a área-foco definida. O objetivo é manter o foco e melhorar a visão geral das outras áreas. É fato que os contratantes buscam pessoas com foco, mas o ideal é que consigam interagir com as outras áreas. Seguindo meu exemplo da área financeira, um profissional com foco bem caracterizado nessa área pode escolher um curso complementar em marketing, gestão empresarial ou mesmo logística para consolidar a visão das outras áreas da empresa. Um financeiro hiperespecialista com jeito de pitbull do cofre e sem nenhum conhecimento nas outras áreas, certamente perderá espaço. Trabalhar com foco numa área, mas colaborar com o todo, inclusive participando de projetos em outras áreas, é uma tendência no mercado de trabalho contemporâneo. Nesse sentido, buscar conhecer essas atividades pode ser um diferencial. O generalista sem foco não irá sobreviver e o especialista que só olha o próprio umbigo também ficará em desvantagem. A tendência é o especialista com visão sistêmica.

Essas duas abordagens podem ajudar na tomada de decisão. Além delas, destaco outro tema que traz muitas dúvidas: o tempo de retorno do investimento em educação. Muitos profissionais imaginam ter retorno imediato após fazer um curso. O mercado não funciona assim. Investir em educação é construir uma carreira com mais musculatura. Essa capacidade ampliada pode gerar diferenciais. O reconhecimento virá disso. O retorno vem com o tempo. Pode ser até um diferencial importante na contratação, mas o que sustenta a carreira são resultados consistentes e histórias conviventes em cada trabalho.

Também devemos considerar que investir na carreira deve ser uma constante. A crise e a possível falta de recursos não podem ser uma desculpa para não estudar. É claro que o pedigree de uma escola de renome sempre agrega, mas o conhecimento pode vir também através de palestras, cursos rápidos, ou mesmo, a distância. A questão é não ficar parado esperando uma solução que venha do mercado. Faça seu projeto de carreira acontecer.

Capacitação que vale o que custa

Os critérios que você deve considerar ao investir em aperfeiçoamento num ano de incertezas

-O curso escolhido deve estar em sintonia com a sua estratégia de carreira de longo prazo.

-Uma das opções é priorizar a especialização dentro da sua área de atuação, por meio de pós, mestrado ou doutorado. Mas também vale considerar cursos e certificações mais rápidos, voltados às tendências de cada campo.

-Profissionais com a área-foco bem definida podem investir em formações que complementem seu conhecimento em outras áreas do negócio. O objetivo é que conseguir uma visão sistêmica para interagir com os outros departamentos.

– A falta de dinheiro não pode ser uma desculpa para não estudar. O conhecimento pode ser adquirido em palestras, cursos rápidos, ou mesmo a distância.

Chefe de primeira viagem

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Rafael Souto, CEO da Produtive, foi fonte de matéria veiculada na edição de abril da Revista Você S/A

Por mais preparado que um profissional esteja, há muitos desafios para um gestor novato. Descubra o que fazer nos três primeiros meses

Por Marcia Di Domenico

Chegar a um cargo de liderança faz parte dos planos e das ambições de praticamente todo profissional. Mas alçar voos mais altos e assumir responsabilidades maiores nem sempre é simples. O segredo é acertar nos primeiros passos dessa etapa de carreira, como sugere Michael Watkins, professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e especialista em Liderança, no livro Os Primeiros 90 Dias – Estratégias de Sucesso para Novos Líderes (Editora Bookman). Para ele, os três primeiros meses devem ser usados para aprendizagem, definição de prioridades e planejamento de estratégias. Salvo casos específicos, só então é que se deve pensar em mudanças estruturais e resultados.

Os primeiros 90 dias são determinantes para o novo líder mostrar suas habilidades e, portanto, para construir ou destruir sua imagem como chefe. “É nesse período que os desafios mais comuns de todo início de gestão começam a aparecer, e o profissional tem a oportunidade de mostrar a que veio e começar a se sentir líder de fato”, diz Elza Veloso, professora do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas da Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo. Reunimos aqui os principais conselhos sobre o que fazer e não fazer em sua estreia no comando.

Entender o contexto

Na ansiedade de conquistar a equipe, mostrar resultados ou impor autoridade, é comum chegar fazendo mudanças antes mesmo de se inteirar da situação que está assumindo. “Entender a dinâmica dos relacionamentos, a política da empresa e os jogos de poder dentro da companhia é importante para tomar atitudes adequadas, começar a construir alianças e preservar sua imagem e credibilidade”, afirma Rafael Souto, da Produtive, consultoria de gestão e carreira, de São Paulo.

Jogo dos 5 erros

Os deslizes que enfraquecem a primeira gestão

1 – IR COM MUITA SEDE AO POTE

Chegar com tudo e fazer mudanças sem consultar ninguém gera mais resistência do que engajamento. “O líder valorizado se coloca como articulador para gerar decisões benéficas para todos”, diz Rafael, da Produtive.

2 – BANCAR O SUPER-HOMEM

Por insegurança, falta de humildade ou medo de ficar vulneráveis diante dos subordinados, muitos novos chefes se recusam a pedir ajuda em situações que não dominam completamente, como alguma tarefa operacional. Isso pode causar problemas como atraso no processo, erro na tomada de decisão e risco de passar a imagem de arrogante ou incompetente.

3 – ACUMULAR TAREFAS

Quando o profissional passa de subordinado à chefia de uma área da qual tem domínio, resistir à vontade de colocar a mão na massa é um desafio. “Para agilizar o andamento do trabalho é comum assumir tarefas que são da responsabilidade dos outros”, diz José Claudio, da Saint Paul Escola de Negócios. “Corre-se o risco de passar a imagem de chefe centralizador.”

4 – DESCONSTRUIR O ANTECESSOR

Tentar impor seu estilo de liderança desvalorizando a gestão anterior só vai colaborar para criar uma imagem de antipatia com o time. É importante entender como a área funcionava antes de sua chegada, mas, para introduzir mudanças necessárias e atrair resultados positivos, não se deve levantar comparações ou críticas destrutivas.

5 – FICAR ACOMODADO

Nem pense que a partir de agora sua rotina será dar ordens e cobrar resultados. Aprofundar-se na área que acabou de assumir, compreender a parte técnica, no caso ter perfil mais gerencial, e vice-versa, e ter uma visão mais global do trabalho vai salvá-lo de se tornar um chefe superficial – e, possivelmente, com prazo de validade curto.

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