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A importância do legado

Nos períodos de recessão, a necessidade de recolocação faz com que muitos profissionais sejam obrigados a aceitar posições inferiores. E, assim que a economia melhora, a decisão de trocar de emprego tem um impacto, mas com um preço a pagar. Veja a reflexão de Rafael Souto sobre o assunto no artigo que fez para a nova edição da Você S/A.

Nossa oscilante economia nos ensinou a sermos malabaristas na gestão das nossas vidas.

Entre crises e períodos de crescimento seguimos sobrevivendo. Olhando rapidamente para o passado, em poucos anos, enfrentamos tormentas de desemprego e períodos de exuberância econômica com intensa oferta de trabalho.

A habilidade de lidar com essas oscilações transformou o profissional brasileiro num guerreiro global. Fato é que várias empresas ao redor do mundo reconhecem nossa capacidade de adaptação e improviso. Não à toa, os muitos anos de experiência lidando com o caos, gera musculatura e repertório para gerenciar essas mudanças.

No entanto, esse caldo de instabilidade gera alguns efeitos nocivos na condução da carreira. Nos períodos de crise, a necessidade de recolocação faz com que muitos profissionais sejam obrigados a aceitar posições inferiores. A redução de salários gera desconforto e impacta na decisão de troca de trabalho assim que a economia melhora.

Por outro lado, os períodos de crescimento intenso mostram um déficit de pessoas qualificadas e obriga com que as empresas contratem com muita voracidade, gerando ofertas irresistíveis e movimentos de carreira impensados.

Foi esse movimento que aconteceu em 2012, quando a economia se recuperou da crise global entre 2008 e 2009 e causou expansão em oportunidades de trabalho jamais vista.

Chegamos a crescer 7,5% e isso gerou um exército de profissionais que ficavam especulando oportunidades e trocando de trabalho a cada seis meses.

Nesse pêndulo dramático de crises e crescimento, não podemos esquecer da construção dos ciclos consistentes na carreira. Um profissional é avaliado pela história que constrói. Os resultados que deixa nas empresas que passou. O legado que vai se formando é o ativo de carreira que forma a marca profissional.

As trocas frenéticas de emprego movidas pelas oportunidades que surgem podem transformar a carreira numa lista de trabalhos sem conclusão.

O mercado é cruel e não deixará de avaliar de forma negativa o currículo sem consistência. A regra dos ciclos consistentes vale para todos, do estagiário ao presidente. É necessário ter projetos com início e conclusão para formar uma carreira de valor.

Se você ficar sempre pensando no próximo emprego, se tornará um especialista em explicar porque trocou de trabalho ao invés de mostrar as suas realizações.

Esta escolha pode surgir amanhã, mas antes de mudar, reflita sobre seu legado e o ciclo que está na empresa. Investigue a cultura e o novo projeto com profundidade. Boas explicações sobre trocas de emprego não sustentam uma carreira, mas sim o trabalho que foi construído em cada empresa.

Como atrair a atenção do mercado

A edição de agosto da revista Você S/A traz reportagem sobre as cinco competências mais desejadas do momento por recrutadores ou headhunters. Com exclusividade, a Produtive preparou um Guia de Autoconhecimento para o profissional descobrir gaps e fortalezas, com dicas para desenvolver essas competências.

Sobre a habilidade de Comunicação, por exemplo, Cláudia Monari, Diretora de Operações da Produtive, explica que a forma como indivíduos o fazem influencia na qualidade da tarefa.

A VOCÊ S/A analisou 288 páginas de estudos e relatórios nacionais e internacionais preparados por órgãos como Fórum Econômico Mundial, Garther, Capgemini e Falconi. Juntas, essas instituições ouviram mais de 14.000 pessoas, entre empregados e líderes, de cerca de 1.000 empresas em 130 países. Com base no cruzamento dos dados, destacamos cinco competências mais demandadas atualmente. Só para ter uma ideia, no Brasil, 80% das vagas trabalhadas pela consultoria de recolocação Produtive exigem que os candidatos tenham uma boa comunicação e pensamento digital – duas aptidões dessa reportagem.

Guia de autoconhecimento

Teste feito com exclusividade para VOCÊ S/A ajuda a analisar quais são as suas competências mais fortes e quais devem ser aprimoradas.

 

COMO FAZER A ANÁLISE

Eleja uma pontuação de 0 a 10 como você acha que posiciona em cada competência.

2 Peça feedbacks a gestores, pares e subordinados para verificar se a autoavaliação está correta e faça um comparativo.

3 Monte um plano de desenvolvimento para as competências de notas mais baixas.

PERGUNTAS

 

Comunicação (oral e escrita)

  • Consigo expressar minhas ideias de forma clara e objetiva?

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  • As pessoas costumam pedir mais explicações sobre o assunto que estou falando?

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  • Quando oriento as pessoas, elas fazem exatamente o que eu espero?

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Resolução de problemas

  • Sou chamado para ajudar na resolução de alguma questão complexa que foge de minha rotina?

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  • Quando ofereço soluções, recebo feedbacks de que fui assertivo?

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  • As pessoas tendem a não considerar as minhas opiniões quando tento solucionar uma questão que fico sabendo por acaso?

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Atenção aos detalhes

  • Quando estou participando de um novo projeto, consigo ter uma visão de todas as etapas?

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  • Eu me planejo para todas as etapas da execução de uma demanda?

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  • Consigo me antecipar a possíveis gargalos e problemas de um trabalho?

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Pensamento digital

  • Quanto estou adaptado a novas mídias digitais?

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  • Penso nas mídias digitais de forma estratégica para o negócio e para meu posicionamento de marca profissional?

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  • Sou aberto a soluções com as novas tecnologias?

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Poder de adaptação

  • Sou resistente a novas ideias, processos ou transformações?

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  • Estou aberto a ver de forma positiva as mudanças que agregam valor ao meu trabalho?

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  • Me considero resiliente diante das frustrações ou dos obstáculos que encontro no meu trabalho?

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NOVAS FORMAS DE CRESCER NA CARREIRA

Para a revista Você S/A, Rafael Souto mostra as tendências do novo mundo do trabalho e como conseguir crescer na carreira neste novo cenário.

Seguimos em uma fase de profundas transformações nos negócios e na sociedade. O século XXI é um amplo espaço de desafios e oportunidades. Pensar a carreira nesse novo mundo do trabalho exige nos livrarmos dos antigos conceitos de crescimento profissional.

As empresas compreenderam que é preciso transformar seus ambientes e estruturas. Por isso, os modelos tradicionais de trabalho baseados em emprego de longo prazo, crescimento linear, plano de carreira e hierarquia, já são considerados retratos de museu. Muitas companhias estão engatinhando na construção e na aplicação de novos modelos de trabalho, mas passar por este desafio é inevitável.

Por mais que possamos esperar por mudanças nas organizações, existe uma transformação fundamental nesse processo: o modelo mental do indivíduo. E a primeira questão para refletir é a visão do trabalho.

A antiga orientação dos pais de que é necessário estudar para ter uma bom emprego não serve mais. A atual deve ser: estude e se prepare para as oportunidades. Estamos na era da trabalhabilidade. Isso significa estar aberto para diversas formas de trabalho. O emprego é uma delas, mas não é a única. Como você analisa, por exemplo, atuar como parte de um projeto temporário, ser voluntário, consultor ou empreendedor?

Se você estiver trabalhando em uma organização que possui o modelo de emprego tradicional, temos um segundo ponto na jornada de transformação do modelo mental: a forma de crescimento nas empresas.

Quando analisamos as estruturas de trabalho de 30 anos atrás, tínhamos organizações com um número enorme de cargos e níveis na estrutura. Isso foi tremendamente reduzido pela necessidade de competição e ganhos com a tecnologia.

As maiores empresas do mundo, hoje, não têm mais do que sete níveis hierárquicos. Isso transformou a forma de crescer na carreira. Por essa razão, não é mais possível pensar num alvo fixo, como um cargo. A nova meta de crescimento é flexível, pode significar movimentos laterais, integrar novos projetos e, com isso, aumentar a prontidão para novos desafios. Desejar ter uma ascensão vertical baseada nos antigos planos de carreira, trará frustração.

É necessário estar aberto a novos formatos de trabalho. O emprego tradicional não será extinto, mas está em rápida transformação. Precisamos nos preparar para alternativas de trabalho e de crescimento. O sucesso não será mais medido por cargos, e sim pelo nível de satisfação e pela capacidade do indivíduo contribuir na sociedade.

 

Serviços de streaming estão contratando a todo vapor

O consultor sênior de carreira da Produtive, André Ribeiro, fala sobre as principais competências que as empresas buscam em profissionais de TI num mercado aquecido de serviços de streaming para a revista Você S/A.

 

Usar celular, tablet, notebook ou Smart TV para acessar vídeos, músicas e filmes, a qualquer hora, sem se prender a grades fixas de programação, já virou parte da rotina. Segundo uma pesquisa recente do Google, a quantidade média de horas que o brasileiro passa assistindo a vídeos por streaming semanalmente cresceu 90,1% nos últimos três anos — saltando de 8,1 horas em 2014 para 15,4 horas neste ano.

Só a Netflix, no país desde 2011, tem 6 milhões de assinantes e receita local de 1,2 bilhão de reais, segundo dados de consultorias de mercado. Isso são mais assinantes do que tem a TV paga Sky e um faturamento 30% maior que o do SBT, por exemplo. Paralelamente, o consumo de conteúdo nas TVs aberta e fechada caiu de 21,9 horas semanais para 22,6 horas no mesmo período, obrigando canais tradicionais, como Globo, SporTV, Fox, Multishow, HBO e ESPN, a se mexerem, criando os próprios serviços on demand.

Outro segmento que se rendeu ao streaming foi o da música. Segundo um estudo da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês), mais da metade dos internautas brasileiros usou algum serviço desse tipo para ouvir canções em 2016. Entre os 13 maiores mercados globais de música, o Brasil está na quarta posição entre os principais consumidores de strea­ming, à frente de Estados Unidos, Japão, Reino Unido e França.

Com isso, o conteúdo online sob demanda vem se tornando um negócio com grande potencial de crescimento no país. De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), já há 44 companhias de streaming operando em solo nacional. Mas a penetração desses serviços é baixa: só 10% dos domicílios brasileiros têm usuários de pelo menos uma dessas plataformas. E é justamente nessa estimativa que mora o otimismo, afinal, ainda há muito espaço para crescer.

Esse cenário também favorece o mercado de trabalho. Embora Net­flix e Spotify, as duas maiores organizações do setor, façam segredo sobre o quadro de funcionários e as vagas abertas, sabe-se que nos dois as contratações estão a todo vapor. No LinkedIn, por exemplo, as duas companhias têm anunciado vagas para cargos executivos, gerenciais e operacionais.

Em geral, há três competências comuns procuradas para os postos: criatividade, pensamento estratégico e habilidades digitais. “As empresas do setor querem pessoas antenadas com a evolução de comportamento do cliente, dinâmicas e com capacidade de se adaptar e inovar”, diz André Ribeiro, da Produtive, consultoria de carreira de São Paulo. O conhecimento de idiomas, como inglês e espanhol, é um diferencial, uma vez que as negociações com fornecedores se dão dentro e fora do país — até a descrição dessas vagas costuma ser em inglês.

Carreiras técnicas, especialmente as ligadas a tecnologia, também estão em alta. Para desenvolver sistemas, colocar o conteúdo no formato adequado nas plataformas e atuar na gestão e na análise de tráfego dos dados, procuram-se profissionais de TI. Mas há uma peculiaridade. “Esse trabalhador precisa ter boa comunicação”, diz André. O perfil do nerd instrospectivo não tem chance, pois a rotina de trabalho é muito ágil e colaborativa.

Início de carreira

Entre as vagas mais anunciadas estão: analista de produto, analista e gerente de tráfego de dados, pesquisador de usuário, especialista em áudio e vídeo, designer de experiência do usuário, líder de programação e operador de streaming. Genis Fidélis, gerente especialista em varejo e digital da Michael Page, consultoria de recrutamento de São Paulo, afirma que o maior volume de cargos é para quem está no começo da carreira. “São estruturas que estão sendo montadas, então analistas e gerentes respondem pela maior parte das vagas. É uma boa oportunidade para quem está querendo mudar de emprego ou acabou de entrar no mercado de trabalho”, diz.

Esse é o caso do estudante de produção audiovisual paulistano Caio de Aquino Gallo, de 22 anos, social media do portal de streaming de vídeos Looke, o concorrente brasileiro da Netflix. Observando o crescimento do mercado de streaming, o jovem, que tem um canal sobre cinema no YouTube, enxergou uma oportunidade profissional. Em abril deste ano, depois de prospectar vagas em empresas do ramo, foi contratado para cuidar das redes sociais do Looke, que tem hoje cerca de 100 000 usuá­rios. “Faço em média 18 posts por semana nas redes sociais e analiso dados das publicações, direcionando-as para clientes em potencial”, diz. Segundo Caio, o trabalho exige conhecimento sobre cinema e artes em geral. “Assisto a pelo menos dez filmes por semana e estou sempre atualizado para contextualizar as publicações”, afirma.

Enquanto as grandes empresas do segmento mantêm sua estratégia trancada a sete chaves (nenhuma das líderes do segmento procuradas pela reportagem quis abrir dados locais), as menores partem para a briga dispostas a abocanhar pelo menos uma lasca desse mercado.

Segundo Luiz Guimarães, diretor de conteúdo e negócios do Looke, a plataforma busca ser um complemento ao Netflix, por exemplo. “Acreditamos que o consumidor pode ter mais de um serviço de streaming”, diz. Lançado em 2015, o Looke tem 12 000 vídeos no acervo e cobra preços que variam de 99 centavos a 26 reais, dependendo da opção do cliente, que pode escolher entre aluguel avulso ou assinatura mensal.

Com sede em São Paulo, a companhia emprega 20 colaboradores, mas a possibilidade de um aporte financeiro pode aumentar esse quadro. “Até agora crescemos de forma orgânica, mas estamos buscando investidores. Caso nosso plano se concretize, podemos dobrar a equipe e iniciar uma expansão para a América Latina”, diz o executivo. No radar, estão especialistas em tecnologia, mas também profissionais das áreas comercial e jurídica, para realizar as negociações com os grandes estúdios.

Em outras plataformas, o plano é investir em nichos específicos. A Univer Video, por exemplo, aposta no conteúdo gospel. A Oldflix, nos filmes antigos. Na ClapMe, o foco são shows. Apesar de ter uma estrutura bem mais robusta do que esses empreendimentos, o Watch ESPN, on demand da ESPN, também tem como tática oferecer conteúdo especializado. Com uma média de 600 vídeos incorporados por mês, os fãs de esportes podem acessar o conteúdo do canal quando querem. “Estamos vivendo uma mudança de hábito. Antes, você parava para ver TV. Agora ela precisa te acompanhar”, diz Marcello Zeni, vice-presidente de afiliadas da ESPN no Brasil. De acordo com o executivo, um conteúdo no Watch ESPN chega a ter audiência até 170% maior do que na TV tradicional. Para cuidar do streaming da emissora, 70 dos 500 funcionários do canal já se dedicam ao serviço.

Priscila Penha, de 37 anos, é uma dessas pessoas. Formada em relações públicas, ela foi contratada há três meses como supervisora digital no canal ESPN. Entre as atribuições do cargo, recém-criado, está centralizar as ações de mídias sociais da emissora e ajudar a alavancar o negócio de streaming no país. Antes desse emprego, Priscila havia trabalhado durante dez anos na Sky e em um projeto de digitalização da TV aberta, comandado pela startup Seja Digital. “Para entender o que oferecer aos assinantes, eu precisei mudar a rotina e hoje consumo muito mais esporte do que antes”, afirma.

Como se especializar

Por ser um segmento novo, ainda não há especializações focadas no negócio de streaming. Para se aprofundar no assunto, é preciso buscar experiência no próprio mercado. “Ninguém espera que o candidato chegue pronto, mas há fóruns, palestras e debates sobre o assunto que podem enriquecer a experiência”, diz Genis Fidélis, da Michael Page.

Da mesma forma que os profissionais não têm uma bibliografia acadêmica para ajudar na capacitação, as empresas também têm dificuldades para encontrar gente qualificada para atuar na área. “Precisamos garimpar. Há mais oportunidades do que mão de obra qualificada”, diz a executiva da Michael Page.

Para quem deseja trabalhar nesse novo (e promissor) universo do entretenimento, vale lembrar que Amazon Prime Video, HBO Go e Disney Now vão ampliar seus serviços de streaming no Brasil em 2018, o que pode gerar ainda mais oportunidades.   

Como lidar com um dilema profissional

O CEO da Produtive, Rafael Souto, participou de um dilema profissional que a publicitária Glaucia Santos estava passando e iniciou um projeto de mentoria em parceria com a revista Você S/A

Optar por uma profissão para o resto da vida é quase sempre uma escolha de Sofia. Tanto que mais da metade dos brasileiros com ensino superior não atua na área de formação, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística (IBGE) de 2013. O que faz um indivíduo deixar de lado a carreira que almejava quando ingressou na faculdade vai desde a mudança no mercado de trabalho até a desilusão com a realidade da ocupação. “As pessoas escolhem prematuramente e acabam não gostando do que fazem”, diz Tania Casado, professora e diretora no Escritório de Desenvolvimento de Carreira da Universidade de São Paulo.

O resultado é uma legião de desgostosos. Segundo uma pesquisa da Isma-Brasil, associação que visa combater o estresse, 72% dos profissionais estão infelizes no emprego. Tamanha infelicidade, já se sabe, leva a transtornos psicológicos, como depressão, ansiedade e burnout (a maneira de o corpo dizer “basta”). “Além dos componentes individuais, excesso de pressão e cobrança, dificuldade em ver perspectiva de crescimento, qualidade da liderança e das relações interpessoais, e a incompatibilidade de valores, são alguns dos fatores que podem levar uma pessoa a esse esgotamento”, afirma Tania.

Foi isso o que aconteceu com Glaucia Santos, de 27 anos, de Barueri (SP). Formada em marketing, ao viver o dia a dia de uma agência de publicidade sentiu na pele a angústia da insatisfação com o trabalho, com o ambiente e até mesmo com alguns colegas. Como numa panela de pressão, a tensão acumulada a fez explodir. Acabou afastada um mês e meio por depressão — doença que será a mais incapacitante do mundo até 2020, segundo a Organização Mundial da Saúde. Doente e frustrada com a área que considerava seu sonho, Glaucia tinha dúvida se deveria retomar a carreira. Nesse meio tempo, fez cursos de crochê e até de manicure; pensou em ­empreender (veja a história completa na pág. 53). Mas o fato é que ela não sabia exatamente o que buscar.

Tendo em mente histórias como a de Glaucia, VOCÊ S/A criou uma iniciativa para ajudar nos dilemas profissionais. A equipe da revista selecionou, entre 50 relatos, cinco pessoas para ser acompanhadas durante cinco meses por dois mentores: Fernando Mantovani, diretor-geral da empresa de recrutamento e seleção Robert Half, e Rafael Souto, CEO da consultoria Produtive. O resultado desse projeto você confere a seguir.

TENHO MAIS DE 40, E AGORA?

O dilema

Em 2016, dois anos depois de ser demitida da empresa do setor automotivo onde era gerente de vendas, Adriana Guidon, de 48 anos, decidiu parar de procurar emprego e se dedicar aos cuidados do pai doente e da filha pequena (hoje, com 7 anos). Neste ano, ela resolveu voltar ao mercado. De acordo com uma pesquisa da agência de empregos Catho, 28% das mulheres deixam de trabalhar para cuidar dos filhos e 21% delas só conseguem serviço depois de três anos. “Meu sonho é arrumar um trabalho, independentemente da área e do cargo”, diz.  “Sofro preconceito por ser mãe e ter mais de 40 anos. Já me aconselharam até a tirar do currículo minha idade e que eu tenho uma filha.”

O conselho

Adriana precisava suprir algumas deficiências do currículo, como saber inglês. “Na tentativa de trazer diferenciais competitivos, falar outra língua é muito relevante para se recolocar mais rápido”, afirma o mentor Fernando Mantovani, da Robert Half.

A solução

Adriana ainda não começou o curso. Mas, ao conversar com conhecidos, conseguiu uma entrevista de emprego; a jornada de trabalho, porém, era incompatível com sua rotina. “Nesse momento, o networking foi muito importante. Conhecer as pessoas certas me mostra que, independentemente
de ser mãe, continuo sendo uma boa profissional”, diz Adriana.

PLANO B, C, D OU E?

O dilema

Funcionária de um banco público há mais de 15 anos, Ellen Lopes, de 38 anos, assessora da área de fundos e programas governamentais, não tinha certeza se estava satisfeita com seus afazeres, se deveria empreender, ou mudar para a área de gestão de pessoas — que sempre a atraiu. Formada em administração, ela tinha várias ideias, mas nenhuma bem estruturada.

O conselho

Ellen desenhou uma escada orientada por Fernando Mantovani. Ao pensar nos cargos que queria ter durante a carreira, decidiu que nenhuma das opções eram interessantes. O que ela queria mesmo era migrar para o setor de inovação e estratégia — algo que, originalmente, estava no fim da lista de desejos. Mas, para conseguir mudar de área na empresa, ela precisa estar entre os 20 funcionários mais bem avaliados internamente. “Estou fazendo alguns cursos de inovação e aumentando meu networking com pessoas dentro do departamento para o qual quero ir”, afirma Ellen. Saiba mais: A Copastur te mostra como promover um bom networking em eventos Patrocinado

A solução

Fernando deu uma dica interessante: Ellen deve ficar de olho no programa de demissão voluntária do banco. Não para ela, mas para acompanhar quem deixa a empresa. “Às vezes, alguns profissionais da área que te interessa podem sair, abrindo oportunidades”, diz o mentor. Essa transição pode levar até seis meses, mas o perfil de Ellen e o desejo de aprender a colocam em destaque. “Todos nós, como empresas, queremos alguém que goste de trabalhar”, afirma Fernando.

CASO OU COMPRO UMA BIKE?

O dilema

Albert Liu, de 24 anos, se formou em economia pela Universidade de São Paulo, trabalhou na área de recursos humanos de uma fabricante de papel e celulose durante seis meses até que decidiu tirar um descanso sabático. Ele não sabia se deveria se especializar em gestão esportiva, investir nos estudos ou crescer na área de RH. As experiências profissionais de Albert eram curtas — em especial pela sensação de uma rotina cansativa que teve nos escritórios em que trabalhou. “Preciso de inovação o tempo todo”, afirma.

O conselho

Fernando orientou que Albert também desenhasse uma escada, apontando quais cargos ele desejaria ocupar a partir do momento profissional atual. Os degraus mostraram que investir na carreira de gestão esportiva em paralelo à de recursos humanos era a coisa certa a fazer. “Penso em migrar para a área de talentos ou mesmo me tornar um business partner. Ao mesmo tempo, quero ser voluntário em alguns clubes esportivos e seguir esse segundo sonho”, diz Albert.

A solução

O jovem começou a trabalhar em treinamento e desenvolvimento numa empresa de pagamentos eletrônicos. “Aprendi muito nos três meses que estou aqui. Quero ficar um tempo por sentir que é o lugar que me dá autonomia e responsabilidade”, diz Albert. O mentor Fernando lembra que a escada deve ser revisitada a cada seis meses. “Não se esqueça de seu planejamento de carreira”, diz.

NÃO CONSIGO EMPREGO

O dilema

Formada em administração de empresas e pós-gradua­da em recursos humanos, Valéria Gardini, de 41 anos, iniciou a carreira como recepcionista de uma empresa de seguros e depois migrou para o RH. Na metade de 2017, perdeu o emprego e até agora não conseguiu se recolocar. Sua dificuldade é chegar a analista sênior, já que, para alguns recrutadores, ela ainda não tem o perfil para essa posição.

O conselho

Um dos maiores problemas de Valéria era o currículo: longo e mal organizado, não representava a profissional. “Esse documento tem de ser um chamariz para a entrevista. Palavras como ‘inovação’ e ‘implementação’ chamam a atenção”, diz Fernando. Para se recolocar, o mentor sugeriu que ela atualizasse seu perfil no LinkedIn, investisse em cursos voltados para a área de gestão de pessoas e aprendesse outro idioma.

A solução

Janeiro e fevereiro foram meses complicados na busca de Valéria por um emprego novo — principalmente por causa do Carnaval — e nenhuma empresa retornou o contato. O momento do país ainda pede paciência. “Em média, uma pessoa leva de seis a 12 meses para se recolocar”, afirma Fernando. “E o começo do ano é o pior período para conseguir emprego”, diz. Em março, abril e maio as coisas começam a melhorar. Mesmo assim, Valéria continua tentando: está matriculada em dois cursos sobre remuneração e benefícios e numa escola de inglês.

MEU SONHO VIROU PESADELO

O dilema

Cursar propaganda na faculdade era a realização de um sonho para Glaucia Santos, de 27 anos, de Barueri (SP). Mas a realidade se mostrou amarga no primeiro emprego como assistente de marketing em um shopping. “Minha rotina era decepcionante.” Por isso, quando surgiu a chance de trabalhar com redes sociais, ela topou. Mas pensar em pautas e produzir conteúdo não era sua praia. Mais uma vez, Glaucia se demitiu e foi trabalhar com marketing político. Apesar do salário atraente, a experiência foi “um inferno”. Depois de três meses, retornou ao mercado publicitário. “Tive depressão e crises de ansiedade; fiquei um mês e meio afastada.” Ao voltar à rotina, Glaucia mudou de agência, mas não sabia se devia continuar no escritório ou empreender.

O conselho

Rafael Souto, CEO da Produtive, a fez refletir. “Será que sua dúvida e insatisfação estão ligadas à angústia em relação ao ambiente profissional que você não quer mais? Ou é uma incerteza em relação à área como um todo? Ou, ainda, é por querer ter o próprio negócio?”

A solução

Glaucia percebeu que seu nível de satisfação com o trabalho atual aumentou.
“É o tipo de empresa na qual sempre quis estar, pois há flexibilidade e preocupação com o bem-estar.” Ter um negócio próprio já não é mais um objetivo. A meta agora é crescer na companhia. “Além de realizar um bom trabalho, é preciso fazer contato com outras áreas para que elas saibam o que você está fazendo”, afirma Rafael.

Como atingir o estado mágico da carreira

Quando existe conexão entre interesses e desafios, temos a chance de vivenciar o estado mágico da carreira. Veja como descobrir isso no artigo do Rafael Souto, CEO da Produtive, para o app da Você/SA.

O conceito de flow foi desenvolvido pelo psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, PhD e professor da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, para designar as ótimas experiências de fluxo na consciência.

Estar nesse fluxo significa imergir em uma atividade sem precisar fazer esforço para ficar nela. São aquelas coisas que fazemos sem ver o tempo passar. Algo prazeroso que desperta atenção genuína.

Nas observações de Mihaly, ele cita artistas, pintores, músicos e executivos que entram em um estado de profunda conexão com o que estão fazendo. Podem ficar horas dedicados na atividade, sem perder o foco e produzindo com naturalidade.

Quando pensamos no conceito flow na carreira, estamos refletindo sobre um pilar fundamental para o desenvolvimento profissional: a satisfação.

O novo mundo do trabalho exige que o indivíduo seja protagonista de sua carreira. Os modelos antigos de plano de carreira na empresa foram extintos. Nenhuma empresa consegue prometer um caminho pré-definido e previsível de crescimento. A instabilidade econômica e a necessidade de estar constantemente ajustando a estrutura fizeram com que os planos lineares oferecidos no passado se tornassem inviáveis.

Cada pessoa terá de construir o seu plano e de navegar na instabilidade. A construção desse projeto deve começar com uma reflexão sobre interesses, motivações e valores.

O flow é uma forma de pensar e aprofundar essa reflexão. Eis algumas questões para te guiar nesse movimento: quais são as atividades que você mais gosta de fazer? Que coisas você faz com prazer e nem percebe o tempo passar? Em quais projetos ou tarefas você gosta de contribuir?

No brilhante conceito de Mihaly, ele adiciona dois pontos importantes para o estado de flow: habilidade e missão. É quando existe conexão entre nossas aptidões e os desafios a ser atingidos que temos realmente a chance de vivenciar o estado mágico do fluxo. Essa liga permite que o indivíduo obtenha realização e alto desenvolvimento, além de fluidez na execução das atividades.

Estamos na era da trabalhabilidade, que significa encontrar trabalho e ser atrativo para o mercado. Esqueça o modelo rígido de emprego. Ser empregado de uma organização é somente uma das formas de tornar seu capital intelectual útil na sociedade.

Nesse sentido, pensar no estado de flow é uma excelente estratégia para planejar as novas maneiras de atuar. A busca por satisfação e felicidade é legítima e deve fazer parte das reflexões de carreira.

Para se ter a experiência flow é preciso seguir um caminho constante de investigação e de observação. Dedicar tempo para refletir sobre satisfação é, de fato, ser protagonista na carreira.

Essa trajetória é indelegável. Seu chefe, o RH da empresa ou alguém de sua confiança pode ajudar a trazer luz, porém, o protagonista terá de ser você.

O FOCO SUSTENTA A CARREIRA

Qual a melhor estratégia para crescer profissionalmente, ser generalista ou ter um conhecimento específico? Rafael Souto responde a esta questão em seu novo artigo para a Você S/A.

Na hora de escolher um investimento em educação ou aceitar uma oferta de trabalho, com frequência, discutimos se a melhor estratégia de carreira é ter um foco específico ou ser um generalista.

Porém, quando observo o mercado, não tenho dúvida de que o profissional é favorecido quando possui uma área foco. A competitividade é maior para aquelas pessoas que tem um eixo funcional bem definido.

Uma pesquisa conduzida pela Columbia University e pela Tulane University revelou que mais de 400 alunos de MBAs que atuavam no mercado financeiro, mas que haviam se graduado em áreas distintas, obtiveram um bônus 35% maior se comparado ao dos que tinham formação específica em finanças. Os generalistas eram os preferidos; os especialistas, os castigados. Entretanto, mesmo que a formação acadêmica seja um fator de diferenciação, nenhum dele precisou migrar para outro departamento.

Thomas Malone, professor no Instituto de Pesquisa de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, explica em seu livro O Futuro dos Empregos (Editora M.Books) a “hiperespecialização” das carreiras. Ele afirma que não só as organizações, mas também todas as atividades da sociedade moderna necessitam de pessoas altamente especializadas. Isso ocorre porque a alta complexidade dos negócios, a redução das estruturas e a pressão por resultados de curto prazo exigem foco e conhecimentos consolidados numa área.

Precisamos compreender que área-foco significa um conjunto de atividades que compõem o eixo funcional de carreira. Por exemplo, para se especializar em RH é preciso ter experiência em recrutamento, seleção, remuneração e desenvolvimento. Portanto, construir uma área foco significa ter experiência em todas essas atividades ou no maior número delas possível. Navegar dentro de uma área é saudável e não significa perder o foco.

Além de construir uma especialidade, é importante complementar a carreira com uma visão sistêmica, principalmente para posições de liderança. O foco em um eixo funcional bem definido e a compreensão das áreas são os alicerces da carreira.

Estamos diante de movimentos de transformação dos modelos tradicionais de trabalho. Uma das iniciativas contemporâneas é a criação de hubs, ou grupos que contribuem com diversas atividades da empresa, sem hierarquia e sem necessariamente estarem em sua área de origem. Esses modelos flexíveis serão necessários para oxigenar as carreiras e permitir movimentos não lineares, uma vez que o organograma clássico dá sinais de cansaço e as estruturas tradicionais estão limitadas.

É importante não se iludir: o conhecimento sólido numa área continuará dando sustentação à carreira independente do modelo. Acompanhar as mudanças da área e se atualizar são antídotos do envelhecimento e darão sustentação no longo prazo

As 5 queixas de carreira mais comuns (e dicas para enfrentá-las)

Para a edição de março da revista Você S/A, Rafael Souto fala sobre os cinco dilemas mais comuns dos profissionais.

 

1 DO OUTRO LADO DO MURO

“Depois de refletir sobre as motivações para mudar de área, a pessoa precisa construir um plano detalhado para realizar a troca de profissão.”

2 SER LÍDER OU NÃO, EIS A QUESTÃO

“Além de conhecer os planos da empresa, o profissional deve pensar em si mesmo. Uma boa dica é buscar o conselho do RH para entender seu potencial e como desenvolvê-lo.”

3 ALGO PARA CHAMAR DE MEU

“Ter algo próprio é o sonho de muitos indivíduos, mas só concluímos se devemos realmente empreender depois de pesquisar sobre o tipo de negócio. Se a ideia não está clara, a melhor opção é se manter empregado numa empresa.”

4 O CUSTO DA SAÚDE

“Vivemos num cenário em que temos mais responsabilidades, mas com equipes cada vez menores. Se o profissional almeja cargos seniores e não quer abrir mão de certa qualidade de vida, enxergo uma dificuldade em alcançar esse objetivo. Não estou defendendo essa prática, mas é algo comum no mundo corporativo”.

5 NÔMADE CORPORATIVO

“Muitas pessoas me perguntam se precisam mudar de cidade ou país para crescer na carreira. Sim, hoje em dia, o desenvolvimento profissional está associado à mobilidade, especialmente nas multinacionais – e é preciso estar aberto a isso.”

As propostas douradas

Com a economia em recuperação, empresas voltam a disputar talentos e maquiar vagas. Rafael Souto, em seu artigo para a edição de março da Você S/A, explica porque o profissional em busca de oportunidade deve ficar atento a ofertas muito sedutoras.

 

O mercado de trabalho brasileiro passou por severas mudanças nos últimos anos. Até a década de 90, o desemprego era uma dádiva para os recrutadores, que se esbaldavam com profissionais desesperados por uma vaga. Era fácil contratar numa época de hiperinflação e empresas obsoletas.

Nos anos 2000, a situação era outra. A economia amadureceu e as companhias passaram a disputar os talentos, que começaram a fazer escolhas. De lá pra cá, os negócios se sofisticaram e a discussão sobre planejamento de carreira ganhou uma enorme atenção.

Hoje, não basta uma proposta. Indivíduos de alta empregabilidade querem não só selecionar seu futuro projeto como ser agente, interferindo em seu rumo. Eles buscam um propósito, uma causa na qual acreditem de verdade. São questionadores.

As organizações mais antenadas perceberam essa mudança de comportamento e passaram a formar equipes de  talent acquisition, especializadas em buscar os melhores colaboradores. São os antigos profissionais de recrutamento e seleção, mas com uma roupagem contemporânea e com a missão de contratar pessoas extremamente qualificadas num mercado competitivo e escasso de opções. Eles funcionam como os massais, guerreiros tribais nômades que habitam regiões do Quênia e da Tanzânia e caçam  enfrentando o enorme grau de dificuldade das savanas africanas. Em centenas de anos, eles desenvolveram técnicas para lidar com a adversidade do ambiente e para cumprir a missão de alimentar sua aldeia.

Os massais do século 21 também criaram meios inteligentes para ter um banco de talentos qualificado. Mudaram a lógica dos processos para atrair suas presas. Mas, muitos deles, exageraram na dose e se especializaram em dourar as propostas de trabalho.

Isso gerou um efeito colateral perverso. Na caça por gente qualificada, os talent acquisition alteram a realidade da oferta de emprego, minimizando as dificuldades da empresa ou ampliando o lado positivo dos projetos.

Com a economia em recuperação (o que deve gerar novas posições), essas “vagas douradas” vão aumentar e são um alerta vermelho para quem tende a ficar seduzido por um belo pote de ouro , sem se preocupar com o impacto que ele poderá trazer à própria carreira. Então, fique atento. Se você está buscando por oportunidades ou sendo assediado por recrutadores, cuidado com a decisão. Um dos guerreiros massais pode estar presente em sua próxima entrevista de emprego.

 

Customize seu trabalho

A edição de janeiro da Você S/A traz o novo artigo de Rafael Souto, CEO da Produtive, que discorre sobre uma habilidade que diz respeito a conhecer outros departamentos da empresa, colaborar com projetos de áreas diferentes da sua e construir novas formas de atingir resultados.

 

Todos os dias somos bombardeados por mudanças e pressionados por cenários que mostram um mundo com menos empregos, comandados por máquinas e empresários do setor de tecnologia usando roupas pretas e vocabulário espacial.

Não acredito nas teorias apocalípticas, e sim na transformação do trabalho e na mudança do conceito de emprego. Se olharmos os movimentos do mercado, perceberemos que surgem possibilidades a todo o tempo. Novas atividades e mudanças nas profissões antigas. Por isso, proponho uma reflexão baseada na abundância, e não na escassez.

Nesse sentido, um dos conceitos que impulsionam essa transformação chama-se job crafting. A ideia foi desenvolvida pelas pesquisadoras norte-americanas Amy Wrzesniewski e Jane Dutton, em 2001, e ganha mais força nos períodos de crise. A expressão quer dizer “customização do trabalho”, no sentido que atribuímos a ele e na forma de realizar as atividades.

Fazer job crafting significa fazer ajustes na rotina e no jeito de completar as tarefas. Num mercado em que as estruturas estão enxutas, customizar é essencial. Entregar e reorganizar o que é feito. Ajustar, pensar e ampliar.

Podemos ter restrições de estrutura interna. Mas temos fartura de informações e possibilidades no mercado. Aquele que customiza sua rotina profissional encontra mais possibilidades de cumprir suas metas e ser feliz no trabalho.

O job crafting está relacionado com o protagonismo de carreira. O indivíduo que fica esperando que a empresa, o chefe ou a área de RH conduzam seu trabalho e sua  evolução profissional está fadado ao insucesso.

A ideia de crescimento por meio de um plano de carreira pré-determinado morreu. Isso faz parte do passado. O modelo de carreira baseado na descrição de cargos é engessado e limitante.

O novo conceito é a colaboração, sendo a customização uma maneira de contribuir fora da descrição do cargo.

Isso significa construir novas formas de atingir resultados, envolver-se com o negócio e não apenas com a atividade prevista para a posição.  Além de conhecer outras áreas e atuar em projetos para os quais é possível contribuir.

Para obtermos saltos significativos nesse rumo, precisamos de duas transformações: líderes que caminhem na direção do diálogo e permitam que seu time busque espaço e colabore; e profissionais que percebam ganhos e compreendam que seu papel está além do silo ao qual pertencem.

Agora, se você pensa que participar de projetos vai apenas gerar mais trabalho e se mantém à espera da tradicional promoção de cargo e salário, cuidado! Seu modelo mental está obsoleto. E, aí, ficará fácil substituí-lo por uma máquina que reclame menos.