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As 4 atitudes dos candidatos que mais incomodam os recrutadores

A gerente de Mercado na Produtive, Tatiana Penteado, mostra quais os principais erros que atrapalham o profissional no momento da entrevista para a Exame.com.

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Por Claudia Gasparini

O mau momento do mercado de trabalho brasileiro faz com que os candidatos cheguem cada vez mais nervosos, aflitos e angustiados às entrevistas de emprego. É compreensível — mas todo esse estresse é mais nocivo do que parece.

Luís Fernando Martins, diretor da consultoria de recrutamento Hays Response, diz que a urgência em conseguir uma recolocação, ironicamente, faz com que muita gente apresente comportamentos que terminam por afastar oportunidades.

Em doses exageradas, a ansiedade tira a atenção, acentua cacoetes, atrapalha a espontaneidade da conversa e impede que o candidato revele plenamente o seu potencial na entrevista.

“O recrutador normalmente dá um desconto, porque sabe que a crise deixa as pessoas mais tensas”, diz Tatiana Penteado, gerente de mercado na consultoria Produtive. Mas às vezes o afobamento é tanto que se torna irritante e, para o prejuízo do candidato, acaba por desviar o foco do que realmente importa.

Mas quais atitudes realmente tiram os recrutadores do sério e devem ser evitadas a qualquer custo? Martins e Tatiana fizeram uma lista com as principais. Confira:

1. Não largar o celular

Parece surreal, mas até pessoas que estão precisando urgentemente de trabalho não conseguem desgrudar dos smartphones durante a entrevista de emprego. Às vezes o apego à telinha é sutil: o candidato apenas checa rapidamente se há alguma notificação entre uma frase e outra. Parece pouco, mas é o bastante para sugerir ao recrutador que ele não está tão interessado na oportunidade.

“A impressão que fica para nós é a de superficialidade, embora muitas vezes o gesto seja irracional, automático, ligado a uma necessidade cada vez maior de estar conectado o tempo todo”, diz Martins. “É lamentável, porque as pessoas estão deixando de viver o momento presente e perdem oportunidades de relacionamento”.

Para cativar o entrevistador, o conselho do especialista é dedicar toda a sua atenção a ele enquanto durar a conversa. Se tiver algum problema pessoal naquele dia, explique de antemão que talvez precise atender um telefonema urgente no meio da entrevista. Se não, o smartphone deve estar bem guardado e no modo avião.

2. Exagerar na autopromoção

É óbvio que todo candidato tentará “se vender” em uma entrevista de emprego. Mas há várias maneiras de fazer isso — e a prática do autoelogio não é a melhor delas. “É cansativo quando o profissional adota um tom muito narcisista na conversa, dizendo que é muito competente e que todos os seus resultados são exclusivamente por mérito próprio”, diz Penteado.

O princípio é o mesmo que vale para os currículos: quando o candidato se define como alguém perseverante, criativo, dedicado e carismático no “resumo de qualificações”, na verdade está dizendo que é arrogante, prepotente e ingênuo.

Além de ineficaz, o elogio ao próprio comportamento não convence ninguém. “O recrutador acredita em quem consegue se promover de forma inteligente, com base em exemplos e histórias reais, que façam o outro tirar suas próprias conclusões sobre o seu talento”, diz a gerente da Produtive.

3. Não avisar que vai se atrasar

Traço da cultura brasileira, a falta de pontualidade não pega bem em processos seletivos. É claro que imprevistos acontecem — mas é obrigatório avisar que você chegará atrasado caso seja surpreendido por um engarrafamento, por exemplo.

O melhor, claro, é evitar a demora. Mesmo que o dia pareça tranquilo, sem trânsito ou previsão de chuva, saia com antecedência para chegar pelo menos 15 minutos mais cedo do que seria necessário. Além de evitar o problema em si, isso fará com que você tenha tempo para relaxar um pouco antes de entrar na sala da entrevista.

Se mesmo assim acontecer, é importante ligar para o recrutador. Além de explicar claramente o motivo do atraso, é bom dar uma estimativa de quanto tempo extra você necessitará para chegar. “Sem isso, a impressão que fica é que a pessoa não tem um bom planejamento e, principalmente, que não tem interesse na vaga”, diz Martins.

4. Falar demais (ou de menos)

O nervosismo às vezes se manifesta de formas opostas, mas igualmente incômodas: a pessoa se torna verborrágica, dando detalhes desnecessários sobre sua trajetória, ou se comporta de forma lacônica, exigindo que o outro precise extrair informações a conta-gotas.

No primeiro caso, a situação fica ainda pior se a tagarelice incluir mentiras. Alguns candidatos “aumentam” algumas informações sobre si mesmos: dizem que concluíram cursos que só foram iniciados, afirmam ter inglês fluente quando dominam apenas o básico e até exageram o tamanho das equipes que lideraram.

O detalhe é que todos esses dados podem ser (e muitas vezes são) checados pelos entrevistadores. “Às vezes perguntamos ao candidato qual foi o motivo de uma demissão, mesmo quando já sabemos a história que a empresa nos passou”, diz Martins. “Quando as versões são diferentes, fica uma sensação de desconfiança”.

Na hora de escolher a pós, muita gente comete um erro grave

Rafael Souto, CEO da Produtive, fala sobre o momento certo e as frustrações na escolha de um curso de pós-graduação para a Exame.com.

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Cursos de especialização podem ser essenciais à carreira, mas um equívoco nessa etapa traz frustração, segundo especialistas.

Escolher a pós-graduação não é uma tarefa tão simples quanto pode parecer. É uma decisão que, sobretudo, requer experiência, certeza e deve estar diretamente atrelada ao plano de carreira.

É por isso que muitos aspirantes a especialistas se frustram ao longo do caminho: iniciar uma especialização logo após formar-se na graduação pode ser um dos maiores erros cometidos.

Como o mercado valoriza a pós, tentar “eliminá-la” de forma mais rápida pode parecer atrativo ao recém-formado, mas nem sempre é o ideal.

Rafael Souto, presidente da Produtive, fala que ser “papa-diplomas” é um grande erro. “São aquelas pessoas que fazem a pós só pelo diploma, e não há relação entre escolha do curso e plano de carreira”.

Por isso, Rafael sugere que antes de se escolher a pós, a pessoa esteja formada na graduação há pelo menos dois anos, salvos os casos em que ela tem certeza do que vai fazer ou já atua na área.“Quando você percebe que não tem conhecimentos que precisa ter, pode antecipar a especialização”.

Natacha Bertoia, coordenadora dos cursos de educação continuada da Universidade Presbiteriana Mackenzie, concorda que a busca pela especialização também é válida para um recém-formado quando o curso universitário se dá em uma área muito ampla, como administração, por exemplo.

“A graduação, nesse caso, dá uma formação mais geral. O termo especialista significa que a pessoa irá se aprofundar naquele conhecimento. Por exemplo, gestão de pessoas: o graduado pode ter feito desde administração até psicologia. A pós trará o aprofundamento buscado por ele”.

Escolher “cursos da moda” tem se mostrado uma tendência. Cristina Fortes, consultora de carreira da Lee Hecht Harrison, faz a crítica a quem é facilmente influenciável pelo mercado e opta por cursos populares do momento.

“O profissional procura a pós visando apenas o mercado trabalho, e não o interesse pelo conhecimento. Por exemplo, hoje em dia é muito comum escolher fazer marketing digital, pois todos ao seu redor estão fazendo, mesmo que esse curso não tenha ligação com a sua área”.

Outro ponto a ser trabalhado antes de se optar pela especialização é analisar a instituição de ensino e verificar se aquela universidade é bem reconhecida na área escolhida.

Rafael diz que muitos pós-graduandos optam por determinadas instituições pelo seu nome e tradição, mas muitas vezes acabam se frustrando com o curso oferecido.

O presidente da Produtive reitera a importância de se fazer a pós no momento certo, pois “especializar-se” é algo que requer esforço.

“Se a pessoa não planeja o tempo ideal para estudar, está sempre faltando, não consegue entregar os trabalhos, consequentemente passará uma imagem ruim para o professor e colegas, o que pode estragar um possível networking”.

Natacha também lembra que é essencial planejar a carreira antes de começar a pós-graduação. “Ninguém faz pós por hobby. Você gasta tempo e dinheiro para algo que não vai trazer um retorno imediato. É importante pensar bem antes de iniciar, por isso, ter experiência, nesse caso, é essencial”.

Os 6 erros mais comuns na hora de fazer o currículo

O consultor de carreira Sênior na Produtive, Francis Nakada, aborda os erros mais comuns ao fazer um currículo para a Exame.com. Veja os pontos que devem ser evitados!

 

Por Claudia Gasparini, da Exame.com.

Você pode até ter um poderoso arsenal de competências e uma coleção incrível de experiências profissionais, mas o mercado de trabalho não ficará sabendo disso se você não fizer um currículo capaz de refletir o seu potencial.

O documento funciona como o seu “cartão de visitas” para recrutadores. Ali devem estar as informações mais relevantes sobre a sua carreira e os motivos pelos quais valeria a pena contratar você.

Detalhe: a minoria dos candidatos segue essa recomendação. Em outras palavras, cuidar do CV já é, em si, um valioso diferencial para competir por um emprego num momento para lá de complicado da economia brasileira.

Francis Nakada, consultor de carreira da Produtive, diz que muita gente não compreende a finalidade do currículo — e daí nascem as falhas. “Em vez de mostrar por que está apta a preencher aquela vaga, a pessoa simplesmente apresenta o seu histórico profissional”, diz ele.

Pense de forma estratégica na sua transição de carreira. Se você pretende sair de um emprego como analista de marketing na empresa A para ser contratado como coordenador de eventos na empresa B, por exemplo, o seu CV deve trazer provas de que as suas experiências com marketing até o momento tornam você o candidato ideal para cuidar dos eventos naquela companhia.

“Quanto mais direcionado for o documento, melhor”, afirma Leonardo Berto, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half. O ideal é que você faça um currículo diferente para cada vaga, adaptado aos diversos pré-requisitos dos possíveis contratantes.

Com a ajuda dos dois especialistas, listamos a seguir os erros mais comuns na hora de fazer um currículo. Confira:

Erro #1:  Esquecer-se de incluir dados para contato

Por incrível que pareça, diz Berto, um grande número de pessoas envia currículos sem informações básicas como e-mail e telefone. Resultado: mesmo que tenha se interessado pelo candidato, o headhunter não consegue chamá-lo para uma entrevista presencial.

Às vezes, o profissional até inclui esses dados, mas falha nos detalhes. Um telefone do Rio de Janeiro sem o código 21 pode ser inacessível para um recrutador que liga de São Paulo, por exemplo; um e-mail que contém underline ( _ ) não permitirá a comunicação se for digitado com hífen ( – ); e assim por diante. Fazer uma revisão criteriosa do documento é essencial para não cometer esses erros minúsculos, porém fatais.

Erro #2: Não incluir o campo “objetivo” (ou preenchê-lo mal)

Cansado de examinar tantos currículos, o olho do recrutador irá direto para o objetivo descrito no topo do documento. A depender do que estiver escrito ali, ele sequer vai continuar a leitura.

Segundo Nakada, o objetivo deve estar afinado com a sua sua estratégia de transição profissional. “Seja específico e não coloque muitas áreas ou muitos cargos diferentes, ou o recrutador terá a impressão de que você não tem foco e está disposto a qualquer coisa só para ter um emprego”, explica ele.

Erro #3: Sobrecarregar o documento com textos, cores e imagens

Na tentativa de dar uma aparência robusta à própria carreira — ou simplesmente para não excluir nenhum dado que possa impressionar o recrutador — algumas pessoas escrevem currículos longuíssimos, com detalhes ad infinitum. Porém, além de cansar o leitor, um CV prolixo pode esconder as informações mais interessantes sobre você.

O ideal é dizer tudo em até duas páginas, afirma Nakada. Também vale ser econômico nas cores, fontes e, eventualmente, imagens. Prefira sempre um visual sóbrio, sem exageros, a não ser que você trabalhe em setores criativos como publicidade ou design.

Erro #4: Fazer elogios ao próprio comportamento

Este escorregão é clássico: no campo “Resumo de qualificações”, o candidato se define como alguém perseverante, criativo, dedicado, carismático e ousado. Sem perceber, está dizendo que é arrogante, prepotente, ingênuo e vaidoso…ou simplesmente que não sabe fazer um currículo.

De acordo com Nakada e Berto, o famoso “autoelogio” é uma das formas menos eficazes de cativar um recrutador e uma das mais certeiras para irritá-lo. Afinal, essa percepção positiva deve partir de terceiros, e não do próprio candidato. Será na entrevista e nas dinâmicas de grupo que você será colocado à prova sob esses quesitos — e quem vai dar o veredicto serão os seus avaliadores.

Erro #5: Deixar passar pequenos (ou grandes) deslizes no texto

Erros de digitação, como letras trocadas ou dobradas, não são tão inocentes quanto parecem. O problema não é cometê-los, mas sim deixá-los passar. “Significa que você não releu o seu próprio currículo antes de entregar, ou seja, que talvez seja uma pessoa relapsa e desinteressada”, diz Nakada.

Em alguns casos, a falta de revisão pode dar margem a problemas ainda mais graves. Para não escorregar no português, passe um corretor ortográfico no documento, faça várias releituras e peça para várias pessoas revisarem o documento para você. O mesmo vale para as eventuais versões em inglês do seu CV — que, aliás, não devem ser feitas com ferramentas automáticas como o Google Tradutor, ou provavelmente conterão diversos erros e inconsistências.

Erro #6: Mentir ou gerar a sensação de mentira

De acordo com Berto, alguns candidatos exageram algumas competências no currículo, sobretudo aquelas que dizem respeito ao domínio de idiomas — dizem que têm inglês fluente quando só têm nível intermediário na língua, por exemplo. No entanto, na hora da entrevista, eles acabarão sendo desmascarados. E o pior: a descoberta da mentira manchará a sua reputação no mercado por tempo indeterminado.

Às vezes, você também pode perder pontos com o recrutador simplesmente se passar a impressão de que está falseando ou ocultando informações. “Se as datas não batem ou há grandes lacunas temporais não explicadas, isso pode gerar desconfiança no leitor, mesmo que você não tenha mentido realmente”, diz o especialista. Para não correr esse risco, é importante garantir não apenas a sinceridade, mas também a clareza das suas afirmações.

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